Veja como foi o primeiro dia de júri do goleiro Bruno

Felipe Tau

04 de março de 2013 | 07h46

19h25 – A juíza Marixa Rodrigues encerrou o primeiro dia de julgamento de Bruno e Dayanne pouco depois das 19h, logo após o término do interrogatório da delegada Ana Maria dos Santos, que durou mais de quatro horas. Os trabalhos serão retomados às 9h desta terça-feira, com o interrogatório das demais testemunhas.

Para o assistente de acusação, José Arteiro, “só um milagre” faria Bruno, chamado por ele de “chefe do esquema”, ser inocentado. Já o advogado Tiago Lenoir, um dos defensores do goleiro, o primeiro dia foi bastante favorável à defesa, que vai insistir na tese de que, se houve crime, Bruno não sabia de nada.

“Em todo o depoimento, a delegada não citou Bruno nem uma única vez”, disse Lenoir, se esquecendo que ela disse ter ouvido do primo do goleiro, Jorge Luiz, de que o atleta foi informado de tudo por Macarrão ainda na noite do assassinato de Eliza. Já o promotor Henry Vasconcelos disse que ficou clara a credibilidade passada pela delegada aos jurados no depoimento.

17h44 – O advogado de Bola, Ércio Quaresma, voltou a tumultuar o julgamento de Bruno e Dayanne. Ele foi repreendido agora há pouco pela juíza Marixa Rodrigues por ficar transitando durante o interrogatório da delegada Ana Maria que já dura mais de três horas. “Vou pedir que o senhor se mantenha sentado no local destinado às pessoas que não estão sendo julgadas porque o senhor está atrapalhando os trabalhos”, disse ela.

17h20 – Segundo Ana Maria, Jorge contou a ela que Eliza foi levada do sítio de Bruno por Macarrão e ele na noite do dia 10 de junho de 2010, em um Ecosport, até a região da Pampulha, em Belo Horizonte, onde o amigo de Bruno se encontrou com um motociclista conhecido como Bola, Neném ou Paulista, passando a segui-lo até uma casa.

A delegada relatou que, segundo o primo do goleiro, quando chegaram à casa de Bola, todos permaneceram no carro, com exceção de Macarrão, que foi conversar com o condutor da motocicleta.

De acordo com o relato, Bola teria se apresentado a Eliza, já fora do carro e sentada em uma cadeira, como policial. O acusado teria pedido que ela ficasse de pé, e que lhe estendesse as mãos para que identificasse se não era usuária de drogas. Disse a delegada: “Com uma das mãos, à esquerda, esse senhor passou a apalpar as costas dela. Na sequência, passou o braço direito sob o queixo da mulher e começou a asfixiá-la”.

O então menor disse que Bola pediu a Macarrão que amarrasse as mãos de Eliza para a frente, o que ele fez. Nesse momento, Macarrão passou a desferir chutes nas pernas de Eliza, que caiu ao chão e foi agonizando até morrer.

Bola pediu licença e saiu do ambiente por uma hora. Ele voltou com um saco preto, informando que ali estava o corpo de Eliza. Conforme o depoimento do menor à delegada, o executor da modelo tirou de lá uma mão e a lançou aos seus cães, que a devoraram. Depois de assistir tudo, Jorge relatou ter ficado tão aterrorizado que fez xixi nas calças.

16h46 – Bem mais séria do que pela manhã, quando chegou a sorrir na sala do júri, a ré Dayanne Rodrigues disse rapidamente ao Estado agora há pouco que é difícil prever o que vai acontecer nas próximos dias porque o “julgamento está bastante tumultuado”.  “Vamos ver”, limitou-se a dizer, durante intervalo de cinco minutos.

16h30 – “Deus me livre. É esse homem aí”. Foi assim que o primo de Bruno, Jorge Luiz, identificou em uma fotografia Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, como o homem que segundo ele matou Eliza Samudio, em depoimento dado à delegada Ana Maria dos Santos, que é interrogada no Fórum de Contagem há duras horas.

Ana Maria relatou agora há pouco que, quando Jorge relatou a ela, com riqueza detalhes os últimos momentos de vida de Eliza, o rapaz estava bastante emocionado, contendo o choro. “Chegou a segurar no meu braço com intensidade por duas vezes. Eu fiquei muito impactada com a história, a escrivã até pediu para interromper um pouco a oitiva”.

14h30 – A juíza Marixa Rodrigues interroga a delegada Ana Maria dos Santos sobre o início das investigações, que segundo a testemunha ocorreram a partir de um denúncia anônima. Ela confirmou que, durante as diligências no sítio de Bruno, houve um conflito de versões dadas pelo funcionário do sítio José Roberto, que admitiu a presença de crianças no sítio, e o administrador Elenilson Vitor, que numa segunda diligência negou essa informação.

Ana Maria contou que a ex-mulher de Bruno, Dayanne dos Santos, telefonou para a polícia para dizer que estava tudo bem com ela, diante de informações publicadas pela imprensa de que a mulher de Bruno havia sido assassinada. Ela foi, então, convidada a ir à delegacia e compareceu à delegacia de Contagem acompanhada de “Coxinha”.
Com versões desencontradas dadas pelos envolvidos, um dos presentes, o Coxinha, confirmou a presença do bebê Bruno Samudio no sítio. Ele se dispôs a levar a polícia ao local onde a criança havia sido deixada horas antes.

 

14h14 – Pouco antes de o julgamento ser interrompido para almoço, Bruno parecia emocionado. Ele chegou a levar um lenço aos olhos, como se estivesse enxugando as lágrimas, no momento em que a juíza abriu a sala do júri para que a imprensa fizesse imagens. Já Dayanne preferiu deixar o local para não ser filmada ou fotografada.

 

Goleiro Bruno chora no intervalo do julgamento. Foto: Bernardo Salce/Agência I7

14h08 – Após uma pausa para o almoço, recomeça o julgamento do goleiro Bruno e sua ex-mulher Dayanne dos Santos, realizado no Fórum de Contagem. A primeira testemunha a ser ouvida é a delegada Ana Maria dos Santos,  que participou das investigações do desaparecimento de Eliza Samudio.

Com as ausências do primo de Bruno, Jorge Luiz, e de seu amigo Amir Borges Matos,  que não vieram ao Fórum de Contagem, Bruno não terá testemunhas de defesa,  já que o advogado Lúcio Adolfo dispensou os depoimentos de sua tia, Célia Aparecida Rosa Sales, e da amiga Maria de Fátima Santos, alegando que “o que interessa é o debate”.  Ele disse que pretende “destroçar” as testemunhas de acusação.

12h33 – A defesa de Bruno dispensou as testemunhas Célia Aparecida Rosa Sales, que é sua tia, Maria de Fátima dos Santos e Anastácio Martins Barbosa. A defesa da Dayanne dispensou Saiver Júnior e manteve o depoimento de Célia Sales. Com isso, das dez testemunhas arroladas, sobraram quatro testemunhas para serem ouvidas.

Neste momento, a juíza liberou a entrada da imprensa para fazer imagens da sala do júri e determinou um intervalo de uma hora para almoço. Só depois deve ter início o interrogatório das testemunhas.
12h27 – Apesar da ausência de três testemunhas arroladas pela defesa – além de Jorge Luiz, Amyr Borges e Lucy Campos – , o advogado Lúcio Adolfo informou à juíza que ainda vai tentar trazê-las ao Fórum para que sejam ouvidas.

12h14 – Cinco mulheres e dois homens vão compor o conselho de sentença, responsável por dar o veredito  a Bruno e sua ex-mulher, Dayanne Fernandes. Bruno e Dayanne já estão na sala do julgamento.

11h56 – A testemunha mais esperada do julgamento, o primo de Bruno, Jorge Lisboa Rosa, não compareceu ao Fórum de Contagem, informou a juíza Marixa Rodrigues. Entrevista recente dada por ele à Rede Globo – nela, ele atribui a culpa pelo crime a Macarrão, mas diz que seria praticamente impossível Bruno não saber de tudo – havia sido anexada ao processo.

11h40 – Cerca de 90 minutos após a juíza determinar um intervalo para analisar as considerações preliminares da defesa de Bruno e Dayanne, a juíza lê sua decisão sobre as colocações da defesa.  Ela indeferiu o pedido para que a certidão de óbito seja retirada do processo, alegando que sua emissão está suficientemente fundamentada.  Ela também indeferiu o pedido para que o julgamento fosse suspenso, sob alegação da defesa de que havia outro inquérito em andamento.

A defesa entrou com recurso suspensivo alegando que a certidão de óbito foi emitida com base nas declarações de Macarrão, portanto, sem legitimidade, e que o documento influenciaria a decisão dos jurados. No entanto, a juíza afirmou que Macarrão foi condenado em um processo que já transitou em julgado, indeferindo, portanto, a solicitação da defesa.

11h30 – Os réus Bruno Fernandes e sua ex-mulher, Dayanne Souza, ainda não foram chamados pela juíza para comparecer em plenário.

11h18 – Lúcio Adolfo também questiona o desaparecimento, “entre os últimos dias 19 e 23”, de 700 páginas do processo que depois foram anexadas novamente, porém, fora de ordem, o que prejudicaria o estudo dos autos.

11h13 – O clima esquentou também quando o advogado Ércio Quaresma, que defende Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, tomou a palavra para pedir acesso a todo o material audiovisual incluído no processo, o que a juíza indeferiu. Ele também pediu que testemunhas não comuns ao processo de Bola, que será divulgado no próximo mês, sejam ouviddas por ele, numa clara tentativa de tumultuar o juri. A juíza determinou que ele fizesse a solicitação posteriormente.

Veja quais são os personagens e suas versões

Especial: Linha do tempo do caso Bruno

11h00 – O julgamento foi interrompido por 20 minutos para que a juíza Marixa Rodrigues analise e inclua na ata as considerações preliminares feitas pelo advogado de defesa de Bruno e Dayanne, Lúcio Adolfo. Ele pede que os jurados tenham acesso a novos materiais anexados no processo e que o atestado de óbito de Eliza sejam excluídos do processo. Nervoso com a alegação do defensor, o assistente de acusação José Arteiro levantou a voz para exigir respeito. Houve um princípio de discussão e a juíza mandou que Arteiro se mantivesse sentado e em silêncio.

11h00 – “Acreditamos que a pena de Bruno poderia passar dos 24 anos”, disse o assistente da acusação, José Arteiro.

10h54 – Tiago Lenoir, advogado de Bruno: “Não cabe à defesa provar que a Eliza está viva. Cabe à acusação provar que ela está morta”.

10h39 – Para a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, à frente do julgamento e responsável pela decretação do atestado óbito de Eliza, a condenação de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, seria a prova de que Eliza está morta. Sua sentença foi dada no dia 23 de novembro de 2012.

10h30 – A expedição do atestado de  óbito de Eliza Samúdio pela Justiça é contestada pelos advogados de defesa dos réus. Segundo os defensores, o procedimento, feito sem provas cabais da morte da vítima, pode influenciar os jurados e prejudicar os acusados.

10h12 – Depois do sorteio dos sete jurados entre os 25 convocados, dos quais apenas 15 compareceram, deve começar em instantes o depoimento das testemunhas. Serão ouvidas cinco para defesa e cinco para a acusação de cada um dos acusados. Bruno e Dayanne falarão na sequência. Não há limite de tempo nesta fase do julgamento. De acordo com a assessoria do Fórum de Contagem, existe a possibilidade de que os depoimentos sejam concluídos ainda nesta segunda-feira.

Na sequência, a promotoria terá duas horas para expor seus argumentos, enquanto a defesa de cada um dos réus terá uma hora. Esse tempo pode ser prorrogado em mais duas horas para réplica e outras duas para tréplica. Teminada esta etapa, os jurados se reúnem para dar o veredicto para que a juíza possa, caso haja condenação, definir a sentença.

10h10 – “Espero que ele (Bruno) seja condenado”, disse a mãe de Eliza Samúdio, Sônioa Moura, ao chegar ao fórum, há cerca de uma hora.

10h06 – A juíza acaba de dar a palavra aos advogados de defesa, para que depois sejam escolhidos os jurados. A expectativa é de que o julgamento dure de três a cinco dias.

10h00 – Integrantes da União Brasileira de Mulheres se reúnem na entrada do fórum.

9h45 – Julgamento tem início no Fórum de Contagem.

9h30 – A defesa de Bruno admite o sequestro de Eliza Samúdio, mas afirma que ela foi embora do sítio após receber dinheiro do atleta. Para a acusação, o goleiro mandou sequestrar a ex-amante, levá-la a seu sítio, em Esmeraldas (MG),  e matá-la.

9h13 – A defesa do goleiro no caso fala em irregularidades no processo e cogita anular o juri novamente. “Para mim é muito cômodo: se eu ganhar, ganhei, senão, anulo”, disse o advogado Lúcio Adolfo da Silva. Os defensores do caso foram ouvidos pelo Estado.

9h10 – A Justiça decretou a prisão do goleiro e outros sete suspeitos em 7 de julho de 2010. Bruno e Luiz Henrique Ferreira Romão, o “Macarrão”, se entregam à polícia no Rio.

8h55 – O goleiro Bruno é acusado por sequestro, cárcere privado e assassinato de Eliza

8h30 – O promotor do caso, Henry Wagner de Castro, chega ao Fórum de Contagem. Daynne Rodrigues, ex-mulher do goleiro Bruno, também já chegou. Acusada de  participação na morte de Eliza Samúdio, ela responde ao processo em liberdade.

8h02 – Goleiro Bruno chega ao Fórum de Contagem (MG)

7h36 – Após 971 dias atrás das grades, um dos réus mais notórios do País, o ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes das Dores de Souza, de 28 anos, volta a se sentar diante de um júri popular a partir desta segunda-feira, 4. Acusado de mandar sequestrar e matar a ex-amante Eliza Samudio, de 24 anos, com quem teve um filho, o atleta será julgado em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde está preso.

Sua ex-mulher, Dayanne Rodrigues do Carmo, que responde por sequestro e cárcere privado da criança que o jogador teve com a vítima, também começará a ser julgada nesta segunda-feira.

 

Goleiro Bruno no julgamento anterior, interrompido pela defesa do acusado. Foto: Flávio Tavares/Hoje em Dia

 

ENTENDA: os personagens e suas versões

ESPECIAL: veja a linha do tempo do caso Bruno

 

Mas a decisão do júri não será o desfecho da história. Além de dois julgamentos de outros três acusados, marcados para abril e maio, novas investigações estão em andamento para apurar a possibilidade de outros dois ex-policiais civis mineiros terem participado do assassinato com Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, outro ex-agente acusado formalmente pelo crime.

Bruno e Dayanne já estiveram à frente de um júri popular em novembro, mas não foram julgados. Após uma série de manobras da defesa, o processo foi desmembrado, primeiro em relação ao ex-policial, que será julgado em 22 de abril, e também no caso do goleiro e da ex-mulher. “Não vamos adiar o julgamento de novo”, garante o advogado Lúcio Adolfo da Silva.

A grande diferença entre o julgamento de novembro e o que começa nesta segunda-feira, 4, é que, no ano passado, todos os envolvidos negavam até mesmo que Eliza estivesse morta, já que o corpo nunca foi encontrado. Diante do júri, porém, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, ex-braço direito e amigo de infância de Bruno, assumiu que a modelo foi assassinada e ainda acusou o goleiro de ter sido o mandante, como sustentam a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual (MPE). Macarrão foi condenado a 15 anos de prisão. A confissão levou a juíza Marixa Fabiane Lopes a determinar a expedição do atestado de óbito de Eliza.

Morte. “Nunca contestei a morte. Não digo que está morta ou viva. Mas no processo não vejo provas da morte”, afirma o advogado. Silva nega qualquer possibilidade de acordo para redução de pena. “Vou enfrentar a acusação. No Brasil, quem acusa tem de provar. A acusação é baseada nos depoimentos do Macarrão e do Jorge”, diz, referindo-se a Jorge Luiz Rosa, primo de Bruno.

Hoje com 19 anos, ele já cumpriu 2 anos e 8 meses de medida socioeducativa de internação pelas acusações de sequestro, cárcere privado e assassinato de Eliza, que teriam ocorrido quando o rapaz tinha 17 anos. “Macarrão fez acordo com o promotor, que antes o chamava de facínora. E a narrativa do Jorge é toda a acusação que há no processo, mas agora o promotor o chama de mentiroso”, ataca o advogado. Jorge foi arrolado como testemunha pela defesa de Bruno e pelo MPE. Em entrevista à TV Globo, ele disse que Bruno “desconfiava” que Eliza seria morta, mas que a iniciativa foi de Macarrão. “Há provas de que Bruno mandou matar.Há acusações pesadas em cima dele e a arrogância de não confessar facilita”, diz o assistente de acusação, advogado José Arteiro Cavalcante Lima.

Opinião semelhante tem o promotor de Justiça Francisco de Assis Santiago, um dos integrantes do MPE mais experientes no tribunal do júri. “Há contradições pró e contra Bruno. Mas não é preciso mais nenhum depoimento. As provas técnicas são irrefutáveis.”

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