Padre sequestrado durante a ditadura argentina diz que se reconciliou com o papa Francisco

Viviane Bittencourt

15 de março de 2013 | 14h21

BERLIN (AP) – Um sacerdote jesuíta cujo sequestro durante a ditadura militar argentina há décadas provocou fortes críticas ao cardeal Jorge Mario Bergoglio, agora Papa Francisco, assegurou que ele e o pontífice já se reconciliaram.

Hoje pela manhã, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, negou que o papa Francisco foi conivente com a ditadura militar argentina.

O padre Francisco Jalics, que agora vive em um monastério no sul da Alemanha, emitiu um comunicado nesta sexta-feira dizendo que falou com Bergoglio muito tempo depois de ter sido sequestrado, juntamente com o padre Orlando Yorio, em 1976. 

Bergoglio disse mais de uma vez que havia recomendado aos sacerdotes que deixassem suas atividades nos bairros pobres em nome da própria segurança, mas que eles haviam se negado a fazê-lo. Yorio, que já morreu, acusou Bergoglio de entregá-los aos esquadrões da morte por se negar a respaldar publicamente o trabalho que faziam.

“Passaram-se anos até que tivéssemos a oportunidade de falar com o padre Bergoglio… para conversar sobre o que havia acontecido”, diz Jalics em sua primeira declaração sobre o sequestro, que ocorreu quando o novo papa era líder dos jesuítas argentinos.  “Depois disso, celebramos uma missa juntos em público e nos abraçamos solenemente. Estou reconciliado e considero o assunto encerrado.”

Nada põe em dúvidas que Bergoglio, assim como a maioria dos argentinos, não enfrentou abertamente o regime militar que governou o país entre 1976 e 1983, o qual sequestrou e matou milhares de pessoas de esquerda na chamada “guerra suja”. Mas as opiniões divergem quanto à responsabilidade direta do novo pontífice na participação da Igreja no regime militar.