Papa liga para a Argentina e manda mensagem aos fiéis

Viviane Bittencourt

19 de março de 2013 | 09h05

Marina Guimarães, correspondente

BUENOS AIRES – Emoção e Alegria foram os condimentos predominantes entre milhares de pessoas que fizeram uma vigília nesta madrugada, em frente à Catedral de Buenos Aires, para assistir ao vivo a entronização do Papa Francisco. Reunidos desde o início da noite de ontem (18), os fiéis foram surpreendidos por uma ligação telefônica do próprio Papa, em plena madrugada. “Obrigada pelas orações”, disse o Papa Francisco durante a chamada que foi transmitida pelos altos falantes dos telões instalados nos dois lados da Catedral. O Papa pediu que “todos se cuidem uns aos outros, da natureza, das crianças e dos idosos”.

Leia aqui a homilia na íntegra

A ligação foi feita ao telefone celular de um de seus colaboradores mais próximos, o padre Alejandro Russo, reitor da Catedral Metropolitana. Do Centro de Televisão da Arquidiocese (CTA), Santa Maria de Buenos Aires,a mensagem do Papa chegou a todos e foi a grande surpresa da madrugada argentina, às 3:30 horas. O Papa pediu aos fiéis para deixar de lado os ódios e não temer a Deus, que sempre perdoa. “Que não haja ódios, brigas, deixem de lado a inveja”, disse o Papa aos seus fiéis reunidos em frente à Praça de Maio, o histórico palco popular argentino.

“Não tirem o couro o de ninguém, dialoguem”, disse Francisco, completando: “que entre vocês, este desejo de cuidar uns dos outros siga crescendo no coração e aproximem-se de Deus. Deus é bom, Deus sempre perdoa, Deus compreende, não tenham medo dele”. Antes de finalizar a ligação, o Papa pediu a Virgem que abençoe a todos e repetiu o tradicional pedido: “Por favor, não se esqueçam deste bispo, que está longe, mas que os ama muito. Rezem por mim”. O Papa Francisco finalizou a chamada telefônica com uma bênção ao povo na Praça de Maio que, mais parecia uma extensão da Santa Sé.

Explosão de lágrimas

Houve uma explosão de choros, aplausos, cantos e orações ao Papa argentino. “Até agora eu não posso parar de chorar de tanta emoção, meu Deus do Céu”, disse ao Broadcast, Eugenia Odilía, ao lado da irmã gêmea Eugenia Ofélia, que passaram a noite em vigília. De 57 anos, as duas são assistentes sociais e trabalharam muitos anos nas obras realizadas pelo ex-arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, na favela 20 e em um colégio católico, de Lugano, na periferia. Ofélia contou que quatro de seus oito filhos foram confirmados pelo padre Bergoglio. Uma completou a frase da outra e arremataram: “Estamos cheias de gozo e felicidade”.

A partir das 5:30, quando chegaram as imagens do Vaticano, os fiéis reunidos na Praça de Maio voltaram a “explodir” em aplausos, alegria e emoção. Gente de todas as idades, com predominância de jovens, agitaram as bandeiras da Argentina e do Vaticano, vendidas por dezenas de ambulantes por 30 pesos (R$12,00). Outros, levantavam as fotos de Bergoglio de todos os tamanhos e valores que variavam de 10 a 40 pesos (entre R$ 4,00 a R$ 16,00).

Não houve bandeiras de partidos políticos, como pediu a curia metropolitana, mas do time de futebol do Papa, o San Lorenzo, havia muitas. Um grupo de jovens do Parque Patrícios, de entre 14 a 17 anos explicou que foi “muito comovedor e histórico” participar da vigília pelo Papa argentino. Na outra ponta, Neli Colombo, de 75 anos, do bairro de Belgrano, afirmou que sente “uma enorme vontade de que todos estejam juntos a serviço de todos e que o espírito de solidariedade do Santo Padre inspire a todos”.

“Estamos aqui na praça para dar testemunho de nossa fé”, afirmou. Para o padre Daniel Molina, que liderava um grupo enorme a paróquia Santa Rita, de San Justo, na província de Buenos Aires, a chegada de Francisco “abriu uma esperança muito grande de um caminho ainda mais belo e comprometido da Igreja. A portenha Juana Benedict, de 37 anos, confessou: “eu tinha me afastado da Igreja nos últimos 10 anos porque não me identificava com nenhum pastor para me guiar, mas agora, sinto de novo a fé reavivada”.

O brasileiro Danilo Alves, de 25 anos, estava coberto pela bandeira do Brasil, visivelmente emocionado. “Para mim, será o melhor Papa da história. Todos nós estamos muito emocionados com a tranquilidade, a humildade sem mordomia que ele tem”, disse Danilo que se sentia “como se estivesse no Vaticano”.