'Deus jamais se cansa dos pobres e do perdão', diz papa Francisco na primeira oração do Angelus de seu pontificado

Viviane Bittencourt

17 de março de 2013 | 08h14

Atualizado às 12h10.

José Maria Mayrink – ENVIADO ESPECIAL / CIDADE DO VATICANO

O papa Francisco, que vem surpreendendo os fiéis pelo seu bom humor, desde o dia da eleição, na quarta-feira, 13, improvisou mais uma vez, hoje, na recitação do Angelus, ao meio-dia, deixando o texto de sua mensagem de lado para contar história e falar de um livro que acaba de ler. A multidão, mais de 150 mil pessoas, que aguardavam desde cedo que ele aparecesse à janela do último andar do Palácio Apostólico, aplaudiu e deu boas risadas com a improvisação.

Francisco falou só em italiano, inclusive quando dirigiu uma mensagem ao povo, em vez de se dirigir às delegações de outros países em suas próprias línguas. O papa comentou a grandeza da misericórdia de Deus, a partir do trecho do Evangelho que narra o episódio da mulher flagrada em adultério que Jesus perdoou, em vez de apedrejá-la, como determinava a lei de Moisés.

“Deus não se cansa de perdoar”, insistiu o papa Francisco, repetindo a frase várias vezes. De repente, tirou os olhos das folhas de papel que tinha nas mãos e relembrou um episódio ocorrido em Argentina em 1992, quando acabava de ser nomeado bispo.

“Conversava sobre a misericórdia de Deus com uma nona, que é como chamamos as velhinhas em Buenos Aires, quando ela me disse: “Se Deus não perdoasse os homens, o mundo não existia”. Ao ouvir essas palavras, eu falei: “Isso é pura Teologia, a senhora estudou na Gregoriana?” (Pontifícia Universidade Gregoriana, a mais famosa de Roma”.

Francisco interrompeu a leitura do texto para contar que,nos últimos dias, antes de sua eleição, leu um livro do cardeal alemão (Walter) Kasper, “um bom teólogo”, que lhe fez muito bem. “Não pensem que esteja fazendo publicidade do livro, é que ele me fez m muito bem mesmo!”.

O papa iniciou sua catequese, nome da reflexão que faz com os fiéis aos domingos, dando um entusiasmado “bom dia” à multidão. Dezenas de faixais e de bandeiras, muitas delas da Argentina, se levantaram entre aplausos a Francisco.

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O papa Francisco assumiu o papel de um simples pároco neste domingo oficiando uma missa para a comunidade residente do Vaticano e incitando os ouvintes a não condenarem rapidamente os outros por seus fracassos.

Francisco, o ex-cardeal Jorge Bergoglio, rezou uma missa para algumas centenas de pessoas na igreja Santa Anna localizada dentro dos muros do Vaticano e que é usada pelos trabalhadores da cidade-estado.

Antes de entrar na pequena igreja, Francisco parou para cumprimentar simpatizantes que se alinharam próximos de um portão do Vaticano gritando “Francesco, Francesco, Francesco”, seu nome em italiano.

Ele conversou e riu com muitos deles antes de apontar para o relógio preto de plástico no punho e dizer:  “É quase dez horas, eu tenho que entrar. Eles estão esperando por mim”

Vestindo os paramentos roxos do tempo litúrgico da Quaresma, que termina em duas semanas no domingo de Páscoa, ele fez uma breve homilia em italiano, centrada na história do evangelho da multidão que queria apedrejar uma mulher que havia cometido adultério.

Jesus lhes disse: “aqueles entre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra” e, então, disse à mulher: “vá e não peques mais”.

“Eu acho que, às vezes, somos como essas pessoas que por um lado querem ouvir Jesus, mas, por outro, gostam de jogar a pedra e condenar os outros. A mensagem de Jesus é esta: misericórdia”, disse ele .

“Eu digo com toda a humildade que esta é a mensagem mais forte do Senhor: misericórdia”, disse Francisco, falando com uma voz suave. Com informações da Reuters.