São Paulo começa hoje programa de internação forçada na cracolândia. Acompanhe

Felipe Tau

21 de janeiro de 2013 | 09h15

15h09 – A auxiliar de limpeza Vera Lucia Carvalho Nascimento, de 46 anos, procurou o Cratod hoje de manhã para pedir a internação do filho, de 27 anos. O dependente químico usa drogas há pelos menos nove anos e tem ameaçado a mãe.

“Estou correndo risco. Sou uma refém dentro da minha própria casa. Tenho medo de sair do banheiro e ele estar me esperando com um revólver”, disse Vera.

A mulher acredita que a internação é o único jeito de salvar o filho, que já passou por outros tratamentos, mas voltou a usar drogas. “Dentro de casa ele não aceita tomar remédios e pode voltar a usar drogas, porque os falsos amigos estão perto.”

13h56 – O plantão judiciário que começou a funcionar nesta segunda-feira, 21,  no Cratod, região central, terminou sem avaliar nenhum caso de internação compulsória – aquela determinada por um juiz, pois o paciente não tem condições de decidir sozinho ou está correndo risco de vida.

Por outro lado, pelo menos seis mães visitaram o Cratod nessa manhã para pedir a internação dos seus filhos. A Justiça confirmou a internação voluntária de uma adolescente de 16 anos, que procurou o serviço acompanhada da mãe.

O plantão judiciário encerrou as atividades pouco após as 13h. O Cratod, por sua vez, fica aberto 24 horas. Se algum atendimento feito ao longo da tarde demandar a apreciação de um juiz sobre a internação, o julgamento será feito amanhã.

12h21 – Veja fotos do primeiro dia de internação compulsória na região da cracolândia.

11h17 – Hoje a lei brasileira prevê três tipos de internação: voluntária, involuntária (por determinação do médico e familiares, se o paciente não tiver condições de decidir) e compulsória (por decisão judicial).

 

10h44 – O governo afirma que a internação compulsória só será indicada a dependentes químicos cujo estado de saúde seja grave: pessoas com convulsões na rua e com crises de abstinência muito forte são exemplos de casos que podem receber intervenção.

 

10h27 – Veja cronologia das políticas de combate ao crack em São Paulo:

 

21 de julho de 2009 – A Prefeitura de São Paulo cria o programa de recolhimento – com autorização judicial – para internação e tratamento de dependentes de crack, até mesmo de menores. A partir daí começou a discussão sobre internação compulsória.

 

3 de janeiro de 2012 – Prefeitura e Estado colocam em prática o Plano de Ação Integrada Centro Legal. Policiais ocupam a cracolândia para impedir o tráfico e o consumo do crack. A ação é baseada na estratégia de “dor e sofrimento”.

 

21 de janeiro de 2012 – Relatório da PM – feito com base nas ligações para o 190 – aponta que a ocupação da cracolândia levou à migração dos usuários para 27 bairros.

 

27 de março de 2012 – Prefeitura inaugura o Complexo Prates, no centro, para acolher e tratar dependentes.

 

27 de setembro de 2012 – Projetado para atender até 1.200 usuários por dia, o Complexo Prates recebe em média 280 pessoas.

 

 

9h48 – Cerca de 20 pessoas ligadas a movimentos sociais foram autorizados a entrar no Cratod para acompanhar a entrevista coletiva da secretária de Justiça, Eloisa Arruda.

Ao chegarem no auditório do terceiro andar, porém, eles foram impedidos de ficar. Os manifestantes portavam faixas com dizeres contra a internação compulsória e a favor do direito de ir e vir.

Crédito: Tiago Dantas/Estadão

 

9h11– Movimentos sociais estão fazendo uma vigília em frente ao prédio do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), na Luz,  centro de São Paulo, onde o governo do Estado vai dar início ao programa de incentivo à internação compulsória de dependentes químicos. Cerca de 20 pessoas, a maior parte militantes em defesa da população de rua estão no local, com faixas e um carro de som.

Os manifestantes denunciam o que classificam como uma política higienista. “Nesse fim de semana, houve um reforço da PM na cracolândia. As pessoas foram espalhadas e retiradas da rua”, afirma Atila Robinson Pinheiro, do Movimento de População de Rua. Os juízes que integram a junta do plantão judiciário – que decidirá qual paciente deve ser internado – começaram a verificar seus computadores no Cratod para o início do trabalho.

 

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