'Twitteiro', d. Odilo pode ser 1º papa latino-americano

Viviane Bittencourt

12 de março de 2013 | 18h12

EDUARDO SIMÕES E ESTEBAN ISRAEL, REUTERS – Ativo em redes sociais como Twitter e Facebook e presença mais corriqueira em páginas de jornais do que costuma ocorrer com religiosos, o gaúcho dom Odilo Pedro Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, tem estado no topo da lista de especulações para suceder Bento 16 no comando da Igreja Católica.

Defensor ferrenho de questões caras à Igreja, como demonstrou ao atacar a liberação do aborto de fetos anencéfalos, dom Odilo, de 63 anos, conhece a Cúria Romana, o núcleo central da Igreja, e, portanto, tem acesso aos cardeais que convivem no cerne do catolicismo, no Vaticano.

O cardeal brasileiro já trabalhou na Santa Sé, de 1994 a 2001, como oficial da Congregação para os Bispos.

E após a nomeação como cardeal arcebispo, participa desde 2008 de conselhos consultivos que auxiliam o papa no Vaticano, como a Comissão de Cardeais para o estudo dos problemas organizativos e econômicos da Santa Sé, daí sua familiaridade com grande parte das questões que afetam a Igreja.

Embora a proximidade com a Cúria Romana possa ajudá-lo a se tornar o primeiro papa latino-americano da história, críticos afirmam que a eleição de dom Odilo aumentaria a centralização da Igreja e afastaria as reformas.

“Se você tiver um Odilo Scherer (como novo papa), você terá retomada essa ideia de centralização de controle da cúria sobre todos os bispos”, disse o professor de Política e Ética da Unicamp Roberto Romano.

“Se ele for eleito ele vai representar essa linha que se tornou muito forte a partir do João Paulo 2o. Ele vai ter muito pouco a falar de América Latina. Ele vai falar muito mais de centralização e controle vertical do poder.”  Leia mais