A troca

Estadão

31 de julho de 2012 | 07h00

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(Por Aryane Cararo)

“Quanto vale um baú cheio de ouro?” Será que vale só um copo de água e um alfinete? Você vai dizer que não. E pensar que quem faz uma troca dessas não tem juízo. Maluquinho da Silva! Mas se estivesse sozinho no deserto, sem ver
ninguém há dias, carregando um baú pesadão e morto de sede, será que valeria a pena a troca? Pois assim muda tudo, não é? Morrer de sede ou proteger o tesouro?

Eu ficaria com a água. E você? Pois Joaquim preferiu o copo também, deixando para Felisberto o baú no deserto. E é assim que começa o fascinante livro A Troca, de Bia Hetzel. Uma coisa vai sendo trocada por outra e por outra, outra,
outra até que você tem um livro de trocas tão malucas quanto o fantástico livro Um Balão por um Bacamarte, de Alastair Reid e Bob Gill (Cosac Naify), escrito em 1960. Que lembra também João Felizardo, O Rei dos Negócios, de Angela-Lago. Felizardo, Felisberto… o desfecho é certo: será que há dinheiro que compre felicidade?

Nessa aventura de Bia Hetzel, recheada de ilustrações deliciosas do sempre competente Jean-Claude R. Alphen, o texto passeia por trocas saborosas e filosóficas. “Quanto vale um amor? Depende de quanto dura? Ou depende de
quem procura?”, pergunta a escritora. “E quanto vale a amizade? Amigo a gente compra na feira? Amizade a gente troca por qualquer besteira?”

Não é divertida essa brincadeira? De palavras, de trocas e de ilustrações. Depois que você tiver lido tudo, volte com atenção para cada página observando toda a riqueza de detalhes de Jean-Claude e procure ali muitas outras ideias para trocar ou simplesmente se perder em imaginar uma ligação para todas elas. E aí, meu amigo, começam milhares de outras histórias.

A Troca. Texto: Bia Hetzel. Ilustrações: Jean-Claude R. Alphen. Editora Manati, R$ 38.

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