Barulhinho bom

Estadão

06 de novembro de 2011 | 11h25

Circuito_Conto_em_Canto_055_600.jpg
Beto e Juliana não paravam de cantar

O Brasil inteiro foi ao Circuito Estadinho de ontem, dia 5, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon. Calma, não é que tinha gente do País inteiro. É que o pessoal do Conto em Cantos contou histórias vindas de vários estados. Tudo com muita música.

Juliana Offenbecker e Beto Belinatti levaram três caixas coloridas cheias de instrumentos e brincadeiras para fazer a maior festa. Até para falar o nome, tinha música. Juliana se apresentou assim:

“Juliana, ana, catimbirimbana,
Serra matutela de firimfinfana”

E para apresentar o Beto, era:

“Beto, beto, catimbirimbeto,
Serra matutela de firinfinfeto”

E a brincadeira serve para qualquer nome. Olha só. Com Gabriel, que estava na plateia, ficou:

“Gabriel, él, catimbirimbel,
Serra matutela de firinfinfel”

…e assim por diante.

Circuito_Conto_em_Canto_014_600.jpg

Juliana e Beto contaram três histórias. Uma de cada lugar do Brasil. Do Nordeste, veio uma sobre o menino que encontrou uma abóbora no mato. Então, ele levou a abóbora para casa para dar de presente para a avó. Mal sabia ele o quanto essa abóbora iria render…

Depois, contaram uma história vinda do Sul, sobre uma moça chamada Orgulina. O Estadinho conta para você (só não vai ser tão legal porque não tem música…):

Orgulina vivia numa casinha bem simples, bem pobre. Um dia, ela foi à fonte para buscar água. Levou um copinho bem miudinho.

Chegando lá, conheceu um velhinho que vivia por ali. Ele disse “Olá, Orgulina, como é que você tá?”

E Orgulina respondeu: “Eu vou indo muito bem, mas… Sabe o que é, a minha casa é muito pobrezinha e eu estou precisando de uns móveis.”

O velho respondeu: “Tudo há de se arranjar.”

Orgulina voltou para casa. No dia seguinte, quando ela acordou, tinha todos os móveis que ela podia imaginar, tudo muito bonito dentro de casa.

Circuito_Conto_em_Canto_011_600.jpg

A moça gostou da ideia. Pegou um copo maiorzinho e foi à fonte. “Olá, Orgulina, como é que você tá?”, disse o velho. “Eu vou indo muito bem, mas… Sabe o que é? Eu queria ter uma vaquinha para tirar leite, e uma galinha para me dar ovos.”

“Tudo há de se arranjar!”, disse o velho.

E tudo realmente se arranjou. Orgulina, no dia seguinte, acordou com o som do sininho da vaca e com o cacarejo da galinha.

Depois de um delicioso café da manhã, com leite quentinho e ovos mexidos, Orgulina pegou um copo bem maior e foi à fonte buscar água.

Encontrou o velho. “Olá, Orgulina, como é que você tá?”, “Eu vou indo muito bem, mas… Sabe o que é? Eu preciso de algumas roupas bem bonitas e alguns sapatos.”

“Tudo há de se arranjar!”

Circuito_Conto_em_Canto_010_600.jpg

Dito e feito. Quando Orgulina acordou na manhã seguinte, havia roupas e mais roupas em seu guarda-roupas. Então, deu a hora de buscar água. Ela pegou uma jarra bem bonita.

Chegando lá, encontrou o velho. “Olá, Orgulina, como é que você tá?”

“Eu vou indo muito bem, mas… Sabe o que é? Eu ando tão sozinha… Queria muito arranjar um marido.”

“Tudo há de se arranjar!”, respondeu o velho.

Na manhã seguinte, Orgulina acordou com alguém batendo em sua porta. Ela foi ver quem era. Era um homem lindo, feito um príncipe encantado, com um buquê de flores nas mãos. O rapaz se ajoelhou e pediu Orgulina em casamento. Ela aceitou na hora e passou um dia de princesa, bem feliz.

E deu a hora de buscar água. Ela, então, levou um cântaro dos mais elegantes. O velho disse: “Olá, Orgulina, como é que você tá?”

E ela, toda altiva: “Orgulina, não! DONA Orgulina!”

O velho ficou pasmo com a mudança de comportamento da moça. E disse: “Ah, é? Tudo há de virar pó!”

E assim foi. No dia seguinte, não tinha mais móveis bonitos, nem vaca, nem galinha, nem roupas e muito menos marido. E Orgulina teve que engolir o seu orgulho.

***

A última história foi sobre um fazendeiro que plantou um rabanete mágico na horta. Acontece que o rabanete cresceu tanto que ninguém conseguia puxá-lo da terra. Foi preciso um monte de gente (e bichos) para ajudar.

Circuito_Conto_em_Canto_047_600.jpg
A Marina tem uma flauta, mas está quebrada!

No final, todo mundo se divertiu de montão. Uma dessas pessoas foi a Marina de Carvalho, de 5 anos. Ela contou que também gosta de instrumentos musicais, principalmente a flauta. “Eu tinha uma, mas está quebrada!”, explica.

Circuito_Conto_em_Canto_050_600.jpg
Manuela não gosta tanto de rabanete, assim

Outra que não perdeu um detalhe foi a Manuela de Medeiros, de 4 anos. A história preferida dela foi a do rabanete (se bem que ela não come muito rabanete em casa, não). E o intrumento que ela gosta mais é o violão.

Circuito_Conto_em_Canto_052_600.jpg
Se fosse para pedir, Gabriela ia querer uma irmãzinha e um cachorrinho

Já a Gabriela Haefeli Como, de 8 anos, é leitora do Estadinho. Ela até já mandou um desenho para a gente. Ela gostou da história da Orgulina. Gabriela disse que, se conhecesse o velhinho da fonte, ela pediria uma irmãzinha e um cachorrinho. Só que ela já tem irmã, mas são irmãzonas, uma de 12 e outra de 26 anos. “Se fosse uma menininha, eu ia cuidar dela e colocar uma fivelinha no cabelo”, conta.

Juliana, que contou as histórias, comentou sobre a Orgulina: “Eu nunca ganhei nada fácil”, começa. “Acho que é por isso que ela ficou metida.” Mas também gosta da história do rabanete: “Tem coisa que a gente precisa fazer em grupo.”

Sabe uma coisa que é bem legal de fazer em grupo? Ir ao Circuito Estadinho. Tem todo sábado, em uma das unidades da Livraria Cultura. Aqui no blog do Estadinho, você pode ver os dias e endereços. Não perca!

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.