Carnaval no Estadinho

Thais Caramico

26 de fevereiro de 2011 | 07h00

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A reportagem de capa desta semana traz dicas de como se preparar para o carnaval. Assim, você tem até o próximo sábado, dia 5 de março, para fazer sua fantasia, criar instrumentos para a sua bandinha e até pensar em compor uma marchinha. Até o Professor Sassá entrou na bagunça com sua máscara de pratinho de papel.

Para ler a matéria completa, clique nas páginas abaixo. Mas antes, entre no clima do zum-zum-zum com a marchinha do Estadinho, criada pelo Furunfunfum.

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Música de sucata

Gostou dos instrumentos criativos da página 2? Eles foram feitos pelos irmãos Érico (5 anos), Lior (8) e Caubi Karman (10), alunos do Grão do Centro da Terra, uma escola de artes integradas que tem um curso anual muito bacana. Eles chamam de artes integradas porque reúne música, teatro, dança e artes plásticas. Ali, tudo vira brincaderia e expressão. Um cano se transforma em corneta, um rolo faz papel de espada e por aí vai. A ideia é que a criança possa soltar a imaginação, vivenciar e enxergar a arte do jeito dela. Dê só uma olhada nos garotos para ver como estão felizes! (Foto: Filipe Araújo/AE)

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Chocalho para vestir

E por falar em arte, você já ouviu falar de um artista chamado Hélio Oiticica? Para ele, a arte também estava nos olhos de quem a via. E foi pensando nisso que visitamos o Colégio São Domingos para ver o que o Oiticia tem a ver com o carnaval, outra forma de arte. “A ideia foi pesquisar os sons do corpo e criar instrumentos a partir do que a gente tinha aqui na escola”, conta a professor de música Mônica Huambo. (Fotos: Thais Caramico/AE)

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Assim nasceu o “carnangolé”, este chocalho (da foto) para vestir, inspirado no Parangolé, uma obra de arte do Oiticica, feita de capas, estandartes e bandeiras para vestir.
Assim como a obra do artista, os sons do chocalhos são revelados conforme as crianças se movimentam. “Se a criança roda, faz um som. Se pula, é outro. O legal é vivenciar, sentir como a ação faz diferença a expressão do corpo, quanto maior,  influencia no som final” conta a professora.
Durante um mês, a turma do 2º anos desenvolveu seus chocalhos para vestir assim: os alunos trouxeram um pote de iogurte vazio, encheram com coquinhos e sementes de árvores do pátio da escola, perceberam que aunto menos coquinho, o som é mais agudo e quanto mais coquinho, o som fica grave. Depois, fecharam e decoraram o objeto com tecidos. Amarraram um elástico nesses panos para, então, prendê-lo ao corpo de várias formas.

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Mônica ajudou João Pedro a vestir o instrumento

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Olha ele aí fazendo um som!

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Tiago achou o brinquedo legal porque faz muito barulho. E disse: “Quando você corre, ele vem atrás como se fosse o rabo de um cachorro”

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Daniel preferiu colocar no pescoço e girar a cabeça

Enquanto isso, o 4º anos compôs uma marchinha bem legal, inspirada na música Renascer das Cinzas, do sambista Martinho da Vila. E tudo para apresentar no festival do colégio, que acontece hoje. “Foi pensando na tragédia da chuva que tomou conta da região serrana, no Rio de Janeiro, que começamos a discutir uma letra de música a partir das coisas que seriam importantes para a gente, como se fosse mesmo uma mensagem que tivesse a ver com esperança”, conta Mônica. A música levou o nome de Amigo Rima Contigo. E a letra ficou assim:

“Vamos fazer novos amigos
Fazer de tudo pra ser possível
Rever as histórias da vida
Voltar no tempo
Fazer uma nova ida”

Ao som de uma marcha, que não é a mesma batida do samba, a música ganhou melodia e ficou bem legal! Se quiser conhecer outras marchinhas, pesquise por nomes como Chiquinha Gonzaga e Braguinha, dois grandes artistas reponsáveis por, até hoje, levar mais alegria e ritmo carnaval. E para ouvir a música do Martinho da Vila, clique aqui.

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Lila mandando ver no pandeiro

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E teve mais batuque!

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No final, Jonas pegou o microfone e fez um beatbox (aquela percussão vocal do hip-hop)

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Festa do Papangu

Para continuar a leitura pelo mundo divertido das festas de carnaval, vamos falar dos papangus. Se nunca ouviu falar, ao menos agora já conhece a cara dele. E não precisa se assustar! Na capa do livro abaixo há sete papangus.

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Mas quem são esse seres fantasiados que costumam aparecer nos dias de carnaval, que não dão sossego nem na Quarta-Feira de Cinzas?

“Nos tempos de antigamente,
no dia da procissão
da Quarta-Feira de Cinzas,
sempre tinha confusão.
Ali, no meio do povo,
bagunçava a molecada,
desrespeitando o cortejo
com as suas gargalhadas.
Era tanta gritaria
arruaça, perturbação
que o jeito foi inventar
um certo bicho-papão.
O seu nome é papangu:
protetor da procissão”

Assim começa o livro Quem Tem Medo de Papangu?, escrito por Goimar Dantas e ilustrado por Claudia Cascarelli. A autora é neta de papangu e, portanto, entende um bocado do assunto. Foi ainda criança, na pequena cidade de Japi, no Rio Grande do Norte, que descobriu que seu avô se vestia como tal. No livro, ela conta um pouco de suas memórias de infância. E narra, em versos, a história desse personagem tão divertido e misterioso do Nordeste, que é o papangu.
Hoje, às 11h, haverá lançamento do livro (R$ 23), com contação de história e oficina de máscaras, na loja da Cortez Editora: R. Monte Alegre, 1.074, Perdizes, São Paulo. O evento é gratuito.

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E atenção: o carnaval continua por aqui. Fantasia é o tema do Circuito Estadinho de março, que acontece todo sábado, às 15h, em alguma loja da Livraria Cultura. Dê uma olhada na programação:

  • 5/3: o artista plástico Lollo fará soldados e Cleópatras de papel ondulado na Cultura do Bourbon Shopping.
  • 12/3: contação de histórias e oficina “O que é um monstro?”, com Veronica Gentilin na Cultura do Market Place.
  • 19/3: o Professor Sassá vai fazer uma oficina de máscaras na Livraria Cultura do Market Place.
  • 26/3: na Cultura do Shopping Villa-Lobos, contação da história “Uma tarde inventada”, com Andi Rubinstein e Renata Mattar.

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