Como gente grande

Estadão

03 Março 2012 | 07h00

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No Estadinho desta semana você conheceu quatro crianças que publicaram livros e algumas formas de fazer um livrinho em casa para contar suas histórias (se você não leu ainda, pode clicar nas páginas abaixo). Aprendeu também que o seu livro pode ser a história, como sugeriu a ilustradora Laura Teixeira, inspirada no trabalho de Bruno Munari (1907-1998).

 

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O designer italiano Bruno Munari era um experimentador de novas formas de fazer arte. Seus livros tinham como proposta ser parte da narrativa. Parece complicado de entender, mas não é. Por considerar monótono o modelo de livros infantis da época, o designer criou os “livros ilegíveis”, feitos para quebrar o conceito de que leitura era uma obrigação chata dos estudos.

Para ele, cada papel tem uma característica, uma qualidade especial, por isso, o livro pode ser não só um instrumento para contar uma história, mas também um personagem dela. Foi assim que nasceu o primeiro “livro ilegível”, sem textos, mas com uma surpresa de forma e cor a cada página virada.

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Com cores e texturas, o “livro ilegível” de Munari não tinha palavras

Gostou da ideia? Seja como for (publicado por uma editora, feito em casa, com palavras ou não), ter um livro,  feito do nosso jeito, pode ser maravilhoso. Como foi para o Francisco Stelzer, 10 anos, que mesmo sem ter planejado, realizou o sonho de ser tornar um escritor quando publicou o Peixe-Pintor. “Eu não imaginava que a história que escrevi no clube, esperando minha mãe me buscar, viraria um livro de verdade. É muito legal”, conta.

A história começou diferente para Henrique Ribeiro, 12 anos, que ilustrou o livro de sua mãe, Vera Ribeiro. Ela já tinha feito algumas publicações quando pensou em fazer a parceria com o filho. “Tudo começou no dia em que ele recebeu uma lição de casa que estava complicada de entender. Simplifiquei textos de alguns livros e vi que o assunto poderia render um livro só nosso.” Henrique já desenhava desde pequeno e embarcou na aventura de ilustrar o Pantanal…Terra Natal.

Para Alice Vitória, 9 anos, publicar o Monstro de Chocolate era um sonho que estava em seus planos desde muito pequena. Ela conta que já leu “mais de mil livros” e pretende ser uma escritora muito famosa como Ruth Rocha. Quer saber alguns livros preferidos da Alice? Sugestões vindas de uma leitora tão assídua podem ser muito interessantes!

1 – O Reizinho Mandão, de Ruth Rocha
2 – O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
3 – Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato
4 – Cinderela, dos  irmãos Grimm
5 – História do Mundo para Crianças, de Monteiro Lobato

Animado para escrever seu livro? Se você estiver sem ideias, pode fazer como o João Marcelo Squarisi, que escolheu contar sobre seu assunto favorito e publicou o Horta em Figurinhas. 

 

As histórias de Miguel

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No Estadinho de papel, Miguel Viveiros ensinou o passo a passo para você fazer seu próprio livro. Tudo de uma maneira bem simplificada, para que nenhuma etapa seja esquecida. Ele começou a fazer livrinhos de papel sulfite em 2006, por isso, fomos pedir alguns conselhos. Aqui, ele dá mais algumas dicas, mostra duas histórias e conta o que pode ter inspirado o livrinho O Pássaro que Não Sabia Voar.

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Clique aqui para ver o livro página a página

Agora leia o outro conto, que Miguel improvisou enquanto conversava com o Estadinho. Vocês vão ver que, com um pouco de imaginação, uma história salta rapidinho para o papel e vira um livrinho bacana para mostrar aos familiares e amigos.

O Carro Voador e os Três Irmãos

“Era uma vez três irmãos. Seus nomes eram Paulo, Pedro e João. Eles sempre desejaram voar. Quando voavam em aviões, eles não se sentiam voando. Era como se fosse num carro, não mudava muita coisa. Um dia, eles estavam tristes em casa olhando para o céu, querendo voar, quando viram uma luz. Depois, duas luzes. Foi vindo, foi se aproximando, e eles perceberam que tinha alguma coisa ali. Eles viram um carro vindo do céu. O carro veio sozinho, apenas abriu as portas e eles disseram:
– Olha, parece que o céu nos atendeu! Foi o único que ligou para nós.
Eles entraram no carro e fizeram uma longa jornada.
(Neste ponto, você pode contar para onde eles vão, o que eles fazem, o que eles fizeram no mundo… Aqui, Miguel fez uma versão mais resumida a nosso pedido).
Eles deram a volta ao mundo vendo todos os lugares. De vez em quando, eles foram pela Terra e teve um momento em que eles chegaram ao espaço. E ficaram voando na gravidade zero. Era um carro mágico.
No fim, eles voltam para casa, o carro bate as asas e volta para o céu.”

Mas nada de colocar a palavra FIM no final, viu? Miguel explicou que isso não é muito usual em livros. Ah, ele também deu outras dicas:

1) Escreva o livro primeiro em lápis grafite. Só depois passe outro lápis por cima.
2) Olha o que ele diz sobre capa dura: ” O seu livro de papel sulfite não terá uma capa dura, como você pode imaginar. Eu nunca fiz, mas tem um jeito de fazer. Se pegar um livro velho, antigo, você poderia cortar as páginas dele e ficar com a capa dura. Depois é só encaixar os papéis e colar. Mas é um pouco mais difícil”.
3) Uma das coisas a se pensar é nas cores. “Você decide se quer fazer um livro com todo o fundo colorido e com os personagens. Você pode decidir só o fundo colorido, ou só as letras, ou só os personagens.”
4) Você pode se colocar no lugar do personagem na hora de escrever. Fica mais fácil!


Alec Greven, pequeno conselheiro e autor 

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Alec Greven tinha só 9 anos quando escreveu um livro dando conselhos para meninos de sua idade lidarem melhor  com meninas. Como convidar uma menina para sair? Essa é fácil para Alec: você deve esperar ela passar e puxar algum assunto, perguntar se ela viu um episódio de sua série favorita. Ela não gosta mais de você? Isso não é problema para o pequeno escritor, que garante que você é capaz de superar isso facilmente, como aconteceu com ele.
Esses e outros conselhos estão no Como Falar com Meninas (Editora Record, R$ 22,90).

 

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O primeiro livro de Alec!

A única mulher que faz você ficar sem saber o que dizer ainda é a sua mãe? Tudo bem, Alec vai ajudar. É que ele também escreveu Como Falar com Mães (Editora Record, R$ 22,90), publicado no ano passado.

Tem um vídeo bem engraçado de uma entrevista com o Alec. Olhe só.