Histórias na tevê

Thais Caramico

20 de março de 2010 | 04h50

Teatro Rá Tim Bum_01_12_09_Tatiana Belink_Escritora_Foto Cleones Ribeiro (38)

Você reconhece esta bruxinha? Ela não é má e também não pertence a nenhum reino das trevas. Mas é capaz de fazer feitiços com as palavras. A bruxonilda aí de cima é a escritora Tatiana Belinky, que acabou de completar 91 anos. E esse traje é apenas um desejo de criança praticamente realizado. Se pudesse, ela se transformaria em uma bruxa de verdade. Ou em uma boneca Emília, que além de divertida fala tudo o que dá na telha.
Tatiana era amiga de Monteiro Lobato. E contava histórias na tevê nos anos 1950, quando os seus avós ainda eram crianças (ou nem tinham nascido). Agora, em sua homenagem, virou tema do programa A Menina Trança Rimas, que você pode assisitir amanhã na televisão. Nele, o contador de histórias Giba Pedroza se veste de marcador de livro e começa a soltar palavras pela boca, sem parar.

O Estadinho conversou com o Giba para saber que história é essa. E também bateu um papo com a atriz Vitória Zimmermann, de sete anos, que faz o papel de Tatiana quando criança.

Teatro Rá Tim Bum_02_12_09_Especial Tatina Belink_Foto Cleones Ribeiro (3)

Giba, então você é uma marcador de livros que fala?
Isso! Eu entro em cena vestido de terno, mas logo me transformo em marcador para falar da vida e dos poemas da Tatiana.

E qual é a primeira frase que você fala?
Era uma vez uma menina que nasceu poesia da cabeca aos pés. É que Tatiana, desde cedo, fez da palavra o seu lar e brinquedo.

Você conta toda a sua história?Puxa, são 91 anos!
Não. A gente apresenta a Tatiana até os 12 anos de idade. Então mostramos como ela já gostava dos livros desde muito pequena e contamos como foi sair da Lituânia, aos 10 anos, e vir para o Brasil, ter de aprender uma nova língua, fazer amigos…

Como é o cenário do programa?
Todo colorido e com alguns livros gigantes espalhados pela sala. É como se a gente estivesse na casa dela.

E entre as histórias tem música, dança e poesia?
Isso mesmo! Intercalamos fatos de sua vida com histórias que têm a ver com cada fase. E apresentamos isso de um jeito divertido. Ela achava, por exemplo, que bananas nasciam em palmeiras, cada uma em um galho diferente.  E quando eu conto isso no programa, na sequência eu coloco um poema dela que fala sobre comida.

Trança Rimas é uma frase que o pai dela falava quando ela era pequena, não é?
Ela sempre dizia que queria ser poeta. E então seu pai repetia: “Poesia é muito sério, vá brincar com as palavras. Vá ser uma trança rimas.”

E você, Vitória? O que achou do programa?
Bem, eu amo a Tatiana, sabe? Eu gosto de ler seus livros para depois sair contando histórias por aí. E foi desse jeito que comecei a trabalhar na televisão. Eu tinha apenas três anos e estava em uma festa. De repente comecei a contar várias histórias para os convidados, até que minha mãe percebeu que eu tinha talento para isso. Tem uma história que me marcou muito, que é a Vendedora de Caixa de Fósforos. É triste, mas é linda e emocionante. Ah, fazer a Tatiana foi fácil. Mas eu não queria ser bruxa como ela. Se eu pudesse seria a Cinderela. Ou melhor, seria a melhor amiga da Cinderela para viver tudo ao lado de uma princesa.

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A Menina Trança Rimas, que será exibido amanhã (dia 21), à 11h30, na TV Cultura, mostra o livro como um grande amigo e  brinquedo. É um programa de tevê que dá vontade de ler. Já imaginou? Não é à toa que Tatiana sempre diz: “Eu gosto de brincar com as palavras, mas prefiro quando as palavras brincam comigo.”

Quer ler os livros da Tatiana? São muitos. Mas uma boa dica é começar pelo Caldeirão de Poemas, volumes 1 e 2, da Cia. das Letrinhas.

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