Mais Furunfunfum!

Estadão

24 de fevereiro de 2012 | 07h00

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Para continuar só mais um pouquinho a comemoração do aniversário de 20 anos do Furunfunfum, essa dupla que nos diverte tanto, o Estadinho conversou com a Paula Zurawski, a dupla do Marcelo.
Vale lembrar que neste final de semana tem o espetáculo A Terra dos Meninos Pelados (dias 25 e 26, às 17h30 no Teatro Alfa – Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro).

Estadinho: Como começou a história do Furunfunfum?

Paula: Nós nos conhecemos no final de 1986, na festa de aniversário do Marco Antonio Rodrigues, do Grupo Folias. Começamos a namorar e nos casamos no ano seguinte. Tanto eu quanto o Marcelo já havíamos trabalhado em produções infantis, mas que não eram criações nossas. Desde o nascimento do nosso primeiro filho, o Ivan, ficamos mais atentos a tudo que se referia ao universo infantil: livros, discos, partituras e filmes. Tocávamos e cantávamos essas músicas e líamos essas histórias. De repente percebemos que tínhamos um vasto repertório e resolvemos fazer um grupo de teatro, o Furunfunfum, que nasceu no final de 1992.
 
O que mudou nesses 20 anos de história?

Continuamos trabalhando com a mesma paixão e entusiasmo de 20 anos atrás. Mas os espetáculos foram ficando mais elaborados, com temáticas mais instigantes. Desenvolvemos uma linguagem particular, que mistura música, teatro e teatro de bonecos, e hoje também agregamos mais gente ao Furunfunfum: atores, músicos, circenses, que hoje fazem parte das produções das companhias.
 
Quais são os espetáculos  mais marcantes?

Temos um carinho especial por todos eles, mas O Macaco Simão, nosso primeiro espetáculo, sem dúvida é um dos mais marcantes, porque foi ali que tudo começou. Quando era criança, eu ouvia muito as histórias adaptadas pelo João de Barro, o Braguinha, gravadas em disquinhos coloridos na década de 60 e 70. Quando casei com o Marcelo, trouxe meus disquinhos (meu tesouro) comigo. Quando o Marcelo ouviu a história O Macaco e a Velha, que ele não conhecia, ficou apaixonado. E assim resolvemos criar um espetáculo de bonecos.
Gostamos muito também de O Flautista de Hamelin, pela questão ética da história, e pelo final interativo e surpreendente. Adoro fazer e muitas vezes choro na última cena.
 
Já aconteceram situações engraçadas nesses 20 anos de Furunfunfum?

Uma vez estávamos apresentando Rapunzel numa festa de aniversário. Nessa época, usávamos um cenário pesado, de madeira. Na cena em que a bruxa faz o príncipe cair da torre, o Marcelo pulava mesmo, dava um salto por cima do cenário e caía na frente dele. Mas nessa vez o pé dele esbarrou no cenário, que veio abaixo.  Os “bastidores” foram revelados e eu fiquei parada , segurando a bruxa e a Rapunzel nas mãos. E todo mundo olhando! Houve um minuto de silêncio, mas em seguida toda a plateia caiu na risada, e nós também. O Marcelo não perdeu o rebolado e foi logo arrumando o cenário, sem parar de interpretar o príncipe. Pena que não temos isso filmado, pois seria um documento importante dos 20 anos do Furunfunfum!
Outra história engraçada aconteceu com a gente em 2001. Estávamos voltando de uma temporada de apresentações do Macaco Simão na Irlanda e na Escócia, e a mala com os bonecos ficou perdida no aeroporto, em Londres. O problema é que já tínhamos marcada uma semana de apresentações em Bauru, no interior de São Paulo, que começava no dia seguinte à nossa chegada. Sem os bonecos, corri e comprei um fantoche de Macaco e um de Velha numa loja de brinquedos, adaptando-os da melhor maneira à nossa necessidade. Por sorte, tínhamos também um Boneco de Alcatrão antigo, que não usávamos mais, mas que estava sem o tabuleiro de bananas na cabeça.  Não havia tempo para fazer novas bananas de resina ou papel machê, então o jeito foi ir ao supermercado e comprar bananinhas de verdade, que grudamos no tabuleiro do Boneco de Alcatrão. Durante duas noites a gente guardou o boneco no frigobar do hotel, como se fosse um “cadáver”, para as bananas não estragarem. Morríamos de rir todas as vezes que imaginávamos o pessoal do hotel vendo aquilo!

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