O novo Aranha

Estadão

07 de julho de 2012 | 07h00

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(Por Aryane Cararo)

O super-herói mais imitado pelos meninos está de volta ao cinema em O Espetacular Homem-Aranha. Mas, agora, tudo está diferente (apesar de igual). Não é difícil de entender: o Homem-Aranha retornou, mas esse filme volta ao começo de sua história e não de onde parou o último longa sobre ele, em 2007. O ator também não é mais o mesmo, saiu Tobey Maguire e entrou Andrew Garfield. O herói já não parece igual: ele é menos nerd, anda de skate e reage ao bullying que sofre na escola. A namorada também não é a mesma, agora ela se chama Gwen Stacy. As teias são produzidas em laboratório! E o vilão, puxa, esse ainda não tinha aparecido: é o Lagarto.

Mas o resto é muito igual. Peter Parker é picado por uma aranha geneticamente modificada, ganha superpoderes (que não incluem o de soltar teias orgânicas), vive com os tios Ben e May (embora os pais apareçam com muito mais importância neste filme do que antes) e ele continua usando uma roupa vermelha e azul. Se você já leu o Estadinho de hoje (dia 7), sabe mais sobre o que estamos contando. Se não leu, clique nas páginas abaixo para ver.

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E continue por aqui para ver mais fotos do Aranha, o trailer do filme e uma entrevista com o jornalista Roberto Guedes, especialista em quadrinhos e autor dos livros Quando Surgem os Super-Heróis e Stan Lee, o Reinventor dos Super-Heróis. Para quem não sabe, o Homem-Aranha foi criado por Stan Lee e Steve Ditko numa série de revistinhas da Marvel, há 50 anos.

 

 

Em que os filmes anteriores do Homem-Aranha não seguiram os quadrinhos?
Roberto Guedes – De maneira geral, os três filmes foram bem fiéis aos quadrinhos. Mas é normal que ocorram algumas mudanças e adaptações; afinal, os produtores têm de lidar com décadas de histórias de um personagem e condensar aquilo que entendem ser mais relevante dentro do tempo limite do filme. Por exemplo: o fato de colocarem Mary Jane como o principal interesse amoroso de Peter Parker em vez de Gwen Stacy foi uma dessas mudanças. Nos quadrinhos, Peter só ficaria com Mary Jane após a morte de Gwen. Mas a mudança que realmente incomodou foi o fato do Homem-Aranha do filme produzir uma teia orgânica, sendo que, originalmente, nos gibis, ele as criou artificialmente, usando de seu intelecto privilegiado.

O personagem antes era muito nerd também, não?
Sim. A retratação excessivamente nerd da trilogia não condiz com a figura do herói nos gibis. Nos quadrinhos, Peter deixou de ser um nerd, um sujeito bitolado e egocêntrico, assim que seu tio Ben morreu. Naquele instante, ele amadureceu e se tornou um “homem” responsável, mesmo ainda sendo um jovem.

Qual é a importância dos pais de Peter nos gibis? 
Isso nunca teve muito impacto, pois a figura dos pais foi substituída pelos tios: Ben e May. O maior impacto acontece quando morre seu tio (que era um verdadeiro pai para Peter). Ben morre pelas mãos de um criminoso que o Homem-Aranha se recusara a capturar tempos antes. Ao se dar conta disso, Peter aprende que “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, e decide usar suas habilidades a serviço do bem. Assim, órfão “duas” vezes, permanece a figura de sua tia em sua vida, como a constante lembrança de sua falha, e de sua missão enquanto viver.

Quais são os episódios mais marcantes dos quadrinhos do Aranha para você?
São vários, mas eu destacaria três grandes momentos:
1) A história em que ele tem de erguer toneladas de aço para recuperar um precioso elemento químico que poderá salvar a vida de sua tia.
2) A premiada “trilogia” das drogas, uma saga em três partes em que seu melhor amigo, Harry Osborn quase morre devido ao uso de drogas.
3) A morte de Gwen Stacy, que marcou para sempre sua vida.

Por que ele faz tanto sucesso com as crianças?
Além de ser um personagem bem “humano”, o Homem-Aranha era um garoto (de mais ou menos 16 anos) quando surgiu. Até então, os heróis jovens eram apenas os parceiros do herói adulto, como o Robin para o Batman. O Aranha quebrou isso ao se autointitular o “Homem-Aranha” e não o “Garoto-Aranha”. Ele era o dono do seu próprio nariz, o protagonista absoluto da série. O leitor jovem adorou isso, se identificou mais do que imediatamente.

Nos seus livros, o que você fala sobre o Homem-Aranha?
Além de relatar essas e outras importantes passagens na vida do personagem, conto como foi que o criador, Stan Lee, teve a ideia de criar o personagem, como o desenhista Steve Ditko bolou o uniforme, como foi a reação do editora da Marvel ao saber que Stan queria publicar um herói que fugia ao estereótipo do super-herói perfeito. Enfim, conto muitas histórias de “bastidores”. Eles estão à venda nas bancas de jornais e livrarias e através de meu blog.

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