Rabiscos criativos

Thais Caramico

18 Junho 2011 | 07h00

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A reportagem do Estadinho de papel desta semana é sobre rascunhos: desenhos que você faz sem compromisso e que, justamente por isso, são livres e cheios de criatividade. Clique nas páginas abaixo para conhecer melhor essa história e ver o caderno de desenhos de cinco crianças que estudam no Colégio Santo Américo, em São Paulo.
Depois, continue navegando para conhecer um livro chamado Sketchbooks. Nele, 26 artistas mostram seus rascunhos em páginas repletas de imaginação e personalidade.

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O Estadinho conversou com os autores do Sketchbooks, As Páginas Desconhecidas do Processo Criativo, para saber melhor que história é essa de reunir caderninhos de desenhos que muitas vezes não saem da gaveta em um livro. É importante lembrar que o livro não é infantil. É, segundo Roger Bassetto e Cezar de Almeida, “para todas as idades”. Leia agora um trecho da entrevista.

Estadinho: Por que vocês pensaram em fazer um livro só com rascunhos? Vi que o Angeli e o Lollo estão ali.
Roger e Cezar: A gente acredita que o processo criativo é muito importante. Então, quisemos mostrar os cadernos dos artistas. A gente viu que vários tinham uma quantidade enorme de cadernos e que ninguém conhecia isso. E foi o que achamos interessante. Mostrar as ideias que os artistas têm antes de chegar a um resultado, a uma obra final.

E por que isso é legal?
Porque é através desse material que a gente pode conhecer como o artista cria, o que o inspira. No livro, há 26 artistas e 10 páginas para cada. Então você pode ler um pouco sobre o profissional e depois ver vários desenhos que ele fez. É muito legal para ver a diferença de estilos e, mais do que isso, o processo criativo de cada pessoa.

Qual a importância do rascunho na vida de uma criança?
Desenhar é muito importante. E esse traço livre, sem compromisso, é fundamental para o desenvolvimento. Desenhando assim a criança consegue se expressar, ficar mais feliz e até aprender melhor outras coisas.

Se o desenho é uma das primeiras linguagem que usamos para nos expressar, por que deixamos de fazer isso conforme crescemos?
A gente começa a comparar o que fazemos com os outros e então achamos que não sabemos mais desenhar, quando não conseguimos reproduzir fielmente o que vemos. Mas o legal é deixar claro que cada um tem um estilo. Que o traço certinho não é o único jeito de desenhar.E depois, o desenho é uma ferramenta de criação muito boa. O ato de desenhar é tão importante quanto o resultado, a obra em si.

Mas o que faz as pessoas pararem de desenhar?
Além da falta de incentivo, a crítica. É muito comum uma criança fazer um desenho e um adulto criticá-lo. O quê? Isso é um cachorro? Mas não parece um cachorro. E aí, a criança vai parando de desenhar…

Então, todo mundo pode desenhar?
Claro! E isso é fundamental. Mas só para você ter uma ideia de como a gente bloqueia isso, se você pedir para um adulto fazer um desenho, muito provavelmente ele vai ter os mesmos traços de quando era criança. Mas isso porque ele parou de desenhar. E a lembrança dele nessa arte é a que ficou de anos atrás. Já um adulto que nunca parou de desenhar vai mostrar um outro estilo, traços diferentes que foram desenvolvidos.

O que o desenho traz de bom para a gente?
Entramos num outro estado mental enquanto desenhamos. E isso é o mais importante: o tempo que você passa ali. Há estudos sobre o efeito do ato de desenhar em nosso cérebro. E isso mostra que nos tornamos muito mais habilidosos quando desenhamos muito, é algo estimulante para tudo na vida.

Para conhecer mais sobre o livro, clique aqui. E por último, veja o vídeo, com frases e desenhos de cada artista.