Tevê cor-de-rosa

Estadão

23 de março de 2013 | 06h30

PENELOPE1.JPG

(Foto: Heloísa Bortz/Divulgação)

(Por Aryane Cararo)

Penélope é repórter. Cor-de-rosa, que fique dito. E já está acostumada a escutar um montão de respostas diferentes dos entrevistados. Mas, ainda assim, deve se divertir a cada vez que interage com a plateia. Quem foi à reestreia da peça Penélope, a repórter cor-de-rosa, no Teatro Eva Herz, em São Paulo, certamente se divertiu, especialmente na parte em que as crianças sobem no palco e respondem a algumas perguntas dela. Mas isso acontece perto do final e, antes, há algumas risadas para contar e músicas para cantar.

Penélope é a personagem do programa de televisão Castelo Rá-Tim-Bum, interpretada na tevê nos anos 1990 e agora no teatro por Angela Dip. É uma perua cor-de-rosa: com sua roupa rosa, chapéu galináceo, óculos blindados, bolsa fofucha, supercaderninho rosa e máquina Laika, ou Lalá, como ela a chama. No espetáculo, a repórter mostra os bastidores de seu programa, com o estúdio e o camarim, e decide gravar seu programa sem o diretor chegar. Ela também explica porque só veste rosa e de onde vem seu nome. Tudo com muito humor e algumas músicas que fazem a plateia entrar no ritmo com palmas.

Quem tem curiosidade para saber como funciona um programa televisivo, vai gostar de ver as explicações muito bem explicadas de Penélope, que gosta de deixar tudo muito claro. A repórter, por exemplo, saca o bordão “é modo de dizer” toda vez que fala uma palavra que pode ter duplo sentido, como a arara que serve para pendurar roupas e não é o bicho, e mandachuva, que não tem nada a ver com chuva. E também faz o público cumprimentar todos os objetos de cena. Uma parte legal é quando ela explica como funcionam os recursos sonoros. A cada barulho que o pessoal do som coloca, ela tem de corresponder no palco. Assim, ela encena os barulhos de cavalo, moto, chuva, esgrima…

Mas o mais divertido é quando as crianças sobem no palco para serem entrevistadas e encenar um trechinho do mito de Ulisses e Penélope. Uma das perguntas feitas a elas é: o que você quer ser quando crescer?

clara2.jpg

Clara Major Mendes, de 8 anos, quer ser jornalista. “Porque quando a gente é jornalista, a gente sabe das coisas.” Clara, que estava inteirinha de rosa, num look planejado para a peça, gostou muito da hora em que a atriz dançava, “porque ela dançava engraçado”, explicou.

pedro.JPG

Mas foi Pedro Quadro Fonseca quem roubou a cena. Ele tem apenas 5 anos, mas é um menino muito desinibido que faz pose de garoto mais velho ou “sabedor das coisas”. Ele quer ser bombeiro. Deveria ser ator, pela presença de palco e de espírito! Quando ele ouviu uma garotinha chorando na plateia, levantou de seu lugar, foi até a ponta do palco com pose de herói e disse: “Alguém está chorando aqui?”. Puxa, será uma garotinha em perigo? “Vai lá salvar, Pedro!”, sugeriu Penélope. Ele foi quem aceitou o papel de Ulisses. Porém, na hora de pedir Penélope (interpretada por outra garota da plateia) em casamento, quem disse que Pedro pediu? Ele se recusou! Que história é essa de casamento, ora! Pedro está fora! Mas por que ele quis ser Ulisses? “Eu queria ser rei, mas ser rei é chato.” Apesar disso ele gostou da peça. “Da música e um monte de coisa”, garante.

Pedro não vai estar lá na próxima apresentação. Mas quem sabe não é você quem rouba a atenção da plateia? No mínimo, vai rir com Penélope e seus entrevistados.

 

Penélope, a Repórter Cor-de-Rosa. Teatro Eva Herz (Conjunto Nacional: Av. Paulista, 2.073, Bela Vista). Domingo, às 15 h. Até 28/4. R$ 20. Duração: 50 minutos. Com Angela Dip e Robson Villsac. Texto: Flavio de Souza. Direção: Carla Candiotto.