Brasileiro não valoriza a gestão

Guias Oesp

13 Março 2012 | 16h16

É o que afirma o diretor do Centro de Estudos em Liderança Empreendedora Fernando Blanco, na entrevista a seguir sobre empreendedorismo, aliás muito esclarecedora, vale a pena a leitura!

Fernando Blanco - Diretor do CELE – Centro de Estudos em Liderança Empreendedora

O iPL – Institute of Performance and Leadership lança um novo núcleo. O CELE – Centro de Estudos em Liderança Empreendedora promete ser mais do que uma escola de empreendedores e gestão, mas um constante gerador de conhecimento sobre o assunto. A seguir, Fernando Blanco, VP de Business Development do iPL e diretor do CELE, fala sobre os desafios dos gestores no Brasil e o papel do CELE diante deste cenário.

Quais os maiores desafios que o empreendedor brasileiro enfrenta?

O Brasil é um país dinâmico, que tem muita mudança de regra, muita regulamentação, tem questões fiscais e tributárias complexas, tem juros altíssimos e linhas de crédito pouco amigáveis. A formação educacional do brasileiro é péssima, portanto a formação de mão-de-obra que possa apoiar o empreendedor também é ruim… O empreendedor quase não tem ajuda institucional. Se por um lado surgem muitos empreendedores no Brasil, isso não é só porque temos um espírito empreendedor nato, mas porque as empresas de grande porte já há mais de dez anos vêm terceirizando quase tudo e, naturalmente, surgem mais empresas. Mas à medida que elas aparecem aos montes, elas também desaparecem aos montes. Brasileiro não entende e não valoriza a gestão, e nem quem gerencia seu negócio – até que tenha um problema sério.

E o Brasil é um país que demanda atenção redobrada na gestão. Se um empresário americano, holandês ou mesmo um espanhol ou grego – de países que estão em crise – faz uma gestão equivocada do fluxo de caixa e precisa tomar crédito bancário, vai pagar 3% ao ano. Aqui o brasileiro vai pagar 3% ao mês. Então, se há duas negligências idênticas, o impacto no Brasil é muito maior do que lá fora.

Em termos de gestão, como você descreve o empreendedor brasileiro?

Se um brasileiro ou um espanhol são igualmente negligentes, o brasileiro vai sofrer muito mais. E o empresário brasileiro ainda não acordou para isso. Ele é apaixonado pelo produto dele e pelo mercado dele. Tudo o que está  por trás disso, que é a estrutura, o que faz a empresa dele se sustentar e se manter em pé tem menos charme. E é chato mesmo. Não tem empreendedor que goste de gestão financeira, fiscal, de recursos humanos. Mas sem isso empresa alguma vai longe.

O instrumental competitivo institucional do empreendedor brasileiro é muito mais frágil que o estrangeiro. Por outro lado, existem algumas características inerentes ao nosso povo – flexibilidade, capacidade de adaptação – que nos torna imbatíveis quando complementado uma gestão profissional. Empresário que tem gestão sólida e toda essa maleabilidade é imbatível. O problema é quando ele acha que, por ser adaptável, pode se dar ao luxo de deixar tudo para “mais tarde”, que acha que dá  “um jeito depois”. Ele até vai dar, mas enquanto tenta desentortar tudo aquilo que foi entortado, ele deixa de vender, ele deixa de inovar, ele deixa de cuidar de coisas importantes. É um crime contra o valor do próprio negócio ficar tapando buraco que não devia nem sequer ter sido aberto.

Como surgiu a iniciativa de criação do CELE?

O CELE surge de dois aspectos: o iPL é uma empresa de um empreendedor. É uma escola de negócios nascida a partir do sonho de um empreendedor, que é o Carlos Da Costa. Apesar de ter seu DNA voltado para a formação e desenvolvimento de lideranças de grandes empresas, a minha chegada ao iPL agregou uma longa trajetória junto ao empreendedorismo. Daí surgiu a ideia de se criar um certificado voltado para a gestão e liderança empreendedora, que terá 105 horas de duração, diferente de tudo o que se tem por aí. E não faz sentido criar um curso de empreendedorismo que não gere conhecimento de uso prático e imediato, que reflita a realidade brasileira. O CELE é um núcleo dentro do iPL que dará sustentação na questão de geração de conhecimento para o curso, que dará início à primeira turma no mês de maio.

Fonte: iPl/CELE

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