Grameen, o banco dos pobres, iniciará operações no Brasil.

Guias Oesp

15 de fevereiro de 2011 | 09h53

Depois de dois anos de olho no Brasil, o Grameen Bank anuncia hoje o início de seu processo de implantação no país. Fundado há 35 anos em Brangladesh, pelo professor e economista Muhammad Yunus, o banco estabelece um programa de microcrédito para aquele país que foi replicado pelo mundo e que deu ao seu fundador o Prêmio Nobel da Paz em 2006.

O modelo do Grameen é emprestar quantias pequenas para pessoas que vivem na pobreza e estimulá-las a criar uma espécie de autoemprego.

“Nao fazemos caridade. A pessoa pega o empréstimo e tem que pagar por ele, com juros, inclusive”, afirma H. I. Latifee, diretor-gerente do Grameen Trust. Ele está no Brasil com Tamim Islam, diretor de desenvolvimento. Vieram assinar um empréstimo de US$ 6 milhões contraído de um banco doméstico.

Os empréstimos concedidos pelo banco, deverão ser em média de US$ 200, com juros variando entre 20% e 25%. A cada semana, quem tomou o empréstimo deve prestar contas de suas atividades, pagar juros e direcionar um outro pedaço para a poupança.

“Acreditamos no potencial das pessoas. Em nossa visão, se dermos as condições, elas vão ter iniciativas e ideias para melhorar suas vidas, diz Latiffe. “Os mais pobres precisam de alguém que confie neles e lhes deem esperança no futuro”, completando que o verdadeiro lucro do banco é o impacto social que causa e melhorar a vida das pessoas.

O Grameen vai chegar ao Brasil, inicialmente, controlando um sociedade de crédito ao microempreendedor, que precisará de autorização do Banco Central para funcionar. “Temos uma imagem do Brasil como um país rico, que está crescendo muito. Mas sabemos dos problemas de distribuição de renda”, conta.

“A lógica é que a pessoa passe a ter noção de seu fluxo de caixa e aprenda a lidar com as finanças, diz Marina Procknor sócia da Mattos Filho Advogados, escritório do Banco no Brasil. Ela explica que o Grameen quer chegar às pessoas que hoje não são atendidas pelos bancos no país. Elas podem começar com alguma atividade simples, por exemplo uma mulher que inicie uma produção caseira de doces.

“A medida que for aprendendo a lidar com o dinheiro, pode contrair empréstimos maiores, até conseguir montar seu próprio negócio, explica a advogada.

Provavelmente, as atividades no país se iniciarão no Sudeste. Depois de viabilizar a ideia, a intenção é espalhá-la pelo país, até que a operação ganhe volume e o Grameen funcione aqui também como um banco.

A maior parte dos clientes do banco pelo mundo é formada por mulheres, 97%. Segundo Latifee, a experiência mostra que, nas camadas mais pobres, as mulheres têm menos acesso a fianciamentos do que os homens.

Fonte: Valor Econômico – Terça-feira, 15 de feveiro de 2011.

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