Já dizia Steve Jobs: "Faça menos e faça muito bem feito"

Guias Oesp

09 Abril 2012 | 15h52

Uma loja que só vende um tipo de produto? Será que dá certo? O público gosta de variedade? É caros leitores, as opiniões são muitas e diversas, mas, saibam que em São Paulo, está crescendo a onda de lojas pensadas para explorar o “produto único”.

Se você pensou em um Pet Shop se enganou, pois apesar de ser especializado somente em produtos para animais, vende uma gama enorme e variada de produtos para esse público. É bem mais simples! Vamos abordar lojas que vendem um único e exclusivo item, por exemplo, lasanha, cupcakes, bombas doces, bolachas, omeletes etc.

Trata-se de lugares charmosos, normalmente pequenos, com conceitos bem amarrados e, mesmo que antagônico, cheio de variedades, porém da mesma receita.

Pequenos e cheios de charme

Um pequeno restaurante que acaba de abrir as portas em Pinheiros, a Tutti Lasagna, entra na moda do produto único. A Tutti já funcionava por encomendas, tendo um volume médio de 500 lasanhas aos finais de semana. No cardápio, além de opções vegetarianas, há também a versão tradicional como bolonhesa e até versões diferenciadas como a nordestina com creme de mandioca e carne seca desfiada. E as proprietárias já pensam em aumentar o cardápio para opções de inverno e sem glúten, além de incrementarem com uma sobremesa italiana que combine com o prato, a pannacotta.

Já a publicitária Mariana Araújo se rendeu às bombas que conforme ela “marcaram a memória gustativa da sua infância” e, pelo visto, muita gente tem a mesma lembrança. Logo que abriu sua loja a produção diária era de 350 bombas durante a semana, agora sua produção praticamente dobrou, são 600 durante a semana e mais de 1000 aos sábados ou domingos. Recém inaugurada, a Faire La Bombe, além das deliciosas bombas, conta com um conceito cenográfico que une do ladrilho hidráulico do chão ao papel de seda que embrulham as iguarias. A casa tem 13 sabores, todos cobertos de chocolate Valrhona e pra completar o delicioso cardápio, ainda há as de frutas, como jabuticaba, blueberry ou cereja, feitas apenas na estação com produtos frescos.

Alexandre Leggieri se especializou em cannoli, doce típico siciliano, a Cannoleria Café di Dante, que funciona dentro do Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, possui um cardápio variado de cannoli, doce de leite, nutella, creme ou ricota com frutas. A Cannoleria, diferente dos outros negócios, tem outras variedades no cardápio, porém, Alexandre que recupera receitas familiares e procura adaptá-las à demanda, é especialista nos cannoli.

Produto único: bom ou ruim?

As opiniões se dividem e, existem alguns aspectos importantes e de peso para responder essa questão, tais como, sazonalidade, geografia, tipo de produto e tipo de público. Há aqueles que acham difícil que um negócio sobreviva com apenas um tipo de produto. Defendem que o público gosta de variedades e não estão dispostos a todos os dias consumir os mesmos produtos. Outros já acreditam em um público constante para o mesmo produto, por exemplo, a doceira Luana Davidsohn, proprietária de uma loja de cupcakes, argumenta “acredito no produto único e acho que há público constante para ele. Tenho clientes que aparecem  todos os dias. Um cupcake diário não pesa no bolso nem afeta a dieta das pessoas”. De uma coisa podemos ter certeza, trata-se de um negócio diferente agregado de qualidade, pois é especializado no que faz.

No mundo

O Japão é um país promissor neste tipo de negócio. Há lojas especializadas em tofu, loja de vinagre de arroz, loja só de molho para yakissoba, loja só de pimenta, loja só de saquês, etc. Os japoneses levam isso tão a sério que para eles é quase uma filosofia. Para se especializar em um produto, dizem que leva uma vida.

Fonte: Valor Econômico