Paradoxo perigoso: Farra de consumo de eletrônicos aumenta o consumo de energia.

O forte crescimento do consumo já preocupa a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estuda forma de oferecer o chamado sinal econômico.

Guias Oesp

03 de maio de 2010 | 11h08

ENERGIA

Na favela do Jaguaré em São Paulo, boa parte dos moradores possui um televisor de LCD ou de Plasma, TV a cabo, DVD, microondas e toda gama de produtos eletrônicos, altamente consumidores de energia. Essa pequena amostra de aquisições de bens até pouco tempo vendidos apenas para as classes de maior poder aquisitivo, explica como o aumento da renda fez explodir o consumo de energia.

A escalada do consumo residencial começou em 2003 e segue firme. No 1º trimestre desde ano, o aumento no consumo de gigawatts/hora foi de 8,2% que no mesmo período do ano passado. Em 2009, enquanto o PIB registrava queda de 0,2%, as residências consumiam 6,02% mais energia em todo o país. Nem mesmo o forte aumento das tarifas, algumas regiões em 20%, freou o consumo.

As causas não são apenas aquisições de eletroeletrônicos, mas, no Nordeste, principalmente na Bahia, trata-se de um efeito do Bolsa Família, em parte por que os retirantes de São Paulo estão de volta a sua terra e por que, com o aumento da renda, as pessoas, que antes viviam juntas, agora têm mais condições de se dividir. Resultado, na Bahia, a Coelba tem 20% mais consumidores do que em 2006.

A preocupação com o consumo cresce, tanto que a Aneel, propõe que as tarifas sejam cobradas de acordo com o horário de uso, ou seja, horários chamados de pico seriam mais caros. Assim é possível distribuir o consumo e permitir ao Governo Federal um melhor planejamento de geração.

O consumo de energia no país tem aumentado tanto que mesmo a Usina de Belo Monte, que será uma das maiores do mundo, com capacidade geradora de 4.500 megawatts médios por ano, só poderá atender o crescimento do consumo de apenas 2 (dois) anos, de acordo com Otávio Carneiro Rezende, Presidente da Votorantim Energia, e, como se espera que a economia continue crescendo, novos investimentos precisam ser feitos.

A capacidade de geração precisa ser aumentada, mas o governo vai precisar pensar em programas de eficiência energética.

Fonte: Jornal Valor Econômico, segunda-feira, 03 de maio de 2010, pág. F5. Por: Josette Goulart

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