Produção de iPad no Brasil

Guias Oesp

08 Junho 2011 | 15h18

A chinesa Foxconn investe no Brasil para a produção do iPad

A chinesa Foxconn investe no Brasil para a produção do iPad

Em abril, a presidente Dilma Rousseff visitou o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da ZTE, em Xian, a 1.200 quilômetros de Pequim. A empresa de telecomunicações vai investir US$ 200 milhões na construção de um parque industrial em Hortolândia – SP, o primeiro desse tipo fora da China. Para Eliandro Ávila, CEO da ZTE do Brasil, o Plano Nacional de Banda Larga – PNBL, lançado pelo governo, foi fundamental para a decisão da empresa de se instalar aqui. “As patentes também serão brasileiras”, garantiu.

Com 200 mil habitantes, Hortolândia já abriga companhias do porte da IBM e Dell. A ZTE vai produzir na cidade aparelhos celulares, modem para acesso à banda larga com fio e sem fio e, em uma segunda etapa, iPads. A companhia tem 75 mil funcionários espalhados pelo mundo e planeja contratar outros dois mil para trabalhar em sua nova fábrica, no interior paulista. A produção pode começar em setembro deste ano.

Dos US$ 11 bilhões referentes ao faturamento da ZTE, no ano passado, US$ 600 milhões vieram de vendas no País. “Todo mundo sabe que a China tem custos mais baratos e que o Brasil tem impostos altos e problemas no transporte”, disse Hou Weigui, chairman e fundador da ZTE Corporation. “Mas o Brasil também tem demanda muito grande por alta tecnologia em informática e, fabricando iPads no Brasil, podemos dar respostas mais rápidas aos nossos clientes”.

O anúncio da ZTE ocorreu no mesmo momento em que a Huawei, sua concorrente, divulgou um aporte de US$ 350 milhões para a expansão dos negócios em Campinas – SP. Além disso, o governo espera investimento de US$ 12 bilhões da multinacional taiwanesa Foxconn, em até cinco anos, para a produção de telas e visores destinados a computadores, celulares e tablets – iPad.

A Foxconn no Brasil

A Foxconn no Brasil A Foxconn chegou ao Brasil em 2005, quando instalou em Manaus – AM sua primeira fábrica de celulares. Em 2006, abriu outra fábrica de celulares em Indaiatuba – SP e possui atividades em Sorocaba – SP e Santa Rita do Sapucaí – MG. Em março de 2007, inaugurou sua maior planta no país, em Jundiaí – SP, lá vai produzir os produtos da Apple e ainda aplicar os US$ 12 bilhões em investimentos divulgados em abril.

Presente em 14 países, a maior fabricante de computadores e componentes eletrônicos do mundo, disse ser capaz de gerar 100 mil empregos no país e alcançar, ainda em 2011, a marca de 1,3 milhão de empregados no mundo, e fez como uma das exigências, ter incentivos fiscais para produção de tablets – iPad.

A Foxconn tem hoje 4,8 mil funcionários no Brasil. Segundo o gerente-geral, Ricardo Pagani, a tendência é esse número crescer 30% até o fim deste ano. Para o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, os investimentos previstos pela Foxconn precisam de parceiros nacionais. “A Foxconn será majoritária, mas nós queremos parcerias com o capital privado nacional para termos transferência de tecnologia”, afirmou. O ministro disse também que o governo vai alterar a Lei de Informática que concede redução de IPI para as empresas que invistam um porcentual de seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento. No entanto, a lei traz incentivos apenas para empresas de hardware.

O ministro afirmou que o setor de software é importante porque gera muito valor agregado, competitividade e exportação de serviços. “A Lei de Informática é muito mais uma lei que compatibiliza a Zona Franca de Manaus com o resto do País do que propriamente a que fomenta tecnologia da informação”, afirmou. E o primeiro passo do governo para desonerar a produção de tablets – iPad foi noticiado em maio pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. A Medida Provisória publicada no Diário Oficial zera a alíquota sobre o PIS/Cofins, com uma redução de até 36% nos preços. “Se não tirar o PIS/Cofins, o impacto será de 31%; se tirar fica 36% de diferença”, enfatizou. O preço do iPad podem cair ainda mais, pois nesse porcentual não está incluso o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que ficará a cargo de cada Estado.

A grande dificuldade era enquadrar os tablets no Processo Produtivo Básico (PPB) como microcomputador portátil, sem teclado físico, com tela sensível ao toque. “O problema era classificar os tablets, que não são nem notebooks, nem palmtops, nem smartphones. Agora, com a criação de um enquadramento específico, os aparelhos terão os mesmos benefícios de isenção de PIS e Cofins aplicados para fabricação de computadores”, disse Bernardo.

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