Uma rua dos Pinheiros

Guias Oesp

20 de maio de 2011 | 11h39

Das 70 ruas de São Paulo que tinham projeto para se tornarem bulevares, apenas seis passaram por revitalização

São Paulo deveria ter hoje quase 70 ruas para chamar de bulevar, incluindo Augusta, José Paulino, Consolação,
Mooca, Oriente, Silva Bueno e Teodoro Sampaio. Algumas se inscreveram, por meio de associação de comerciantes, no Programa de Requalificação de Ruas Comerciais, criado em 2003 pela prefeita Marta Suplicy (PT), com o objetivo de promover as revitalizações em parceria com o comércio e a iniciativa privada. Mas só seis, das 69 ruas que se inscreveram, foram entregues: João Cachoeira (Itaim-Bibi), Avanhandava (Bela Vista), Joaquim Nabuco (Brooklin), 25 de Março (centro), Benedito Andrade (Pirituba) e Oscar Freire (Jardins).

No Itaim, os comerciantes da Rua Amauri bancaram sozinhos a revitalização. E o anunciado Boulevard Vila Madalena, que alargaria as calçadas em mais de 1,5 metro e mudaria a mão de várias ruas no bairro, foi suspenso após discordâncias entre moradores, Prefeitura e Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Em todos os projetos, a ideia é a mesma: fios aterrados, banquinhos e muitas árvores. Era o que ia acontecer na Augusta e na José Paulino. Em fevereiro, a Eletropaulo deu o primeiro passo e começou a aterrar cerca de 2 km de fios. A Frei Caneca ganhou até croqui de escritório de arquitetura, após um concurso do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) para transformar a rua em bulevar e não vingou.

Já na Rua dos Pinheiros (zona oeste), a recém-criada Associação de Moradores e Empresários de Pinheiros (Amapi) quer calçadas largas e padronizadas, baias para estacionamento, bancos na frente de lojas, fiação elétrica aterrada e mais de 200 árvores plantadas em 1,7 km de via. A proposta é semelhante à da Oscar Freire, de 2007. A associação já deu início à transformação. “É um absurdo que a rua, com esse nome, não tivesse um pinheiro. Plantamos duas
mudas nas praças Portugal e João Nassar”, diz um dos fundadores da Amapi, Nelson Terra Barth.

Na reforma, a ideia é fazer o mesmo do trecho próximo da futura Estação Fradique Coutinho da Linha 4 -Amarela do Metrô, entre as Ruas Mourato Coelho e Mateus Grou, onde a fiação foi aterrada e a calçada, renovada. A reivindicação foi da Associação Comercial de São Paulo ao Metrô, que bancou a obra após deixar o trecho interditado entre 2005 e 2006. Um dos desafios do futuro bulevar é incentivar a circulação de pedestres na rua. “A movimentação cai muito à noite. Queremos mais atividades culturais e livrarias”, diz Barth. “Vamos tentar uma parceria com a iniciativa privada, além da ajuda dos comerciantes.”

O bulevar não tem data para ficar pronto, mas os comerciantes da rua têm na ponta da língua o prazo ideal: perto da inauguração da Estação Fradique Coutinho, prometida para 2014. “Vai trazer um fluxo de pessoas que não existe hoje em dia”, diz Graziela Ferreira Cabral, gerente de uma loja na frente do futuro metrô. Mais adiante, o comerciante Glauco Félix acredita que a prioridade para a rua, muito antes de metrô ou bulevar, é encontrar uma solução para as
enchentes. “Toda vez que chove aqui vira ponto de alagamento.” Contra isso, a associação estuda repavimentar a via com um asfalto ecológico e mais permeável em desenvolvimento pela USP. A expansão da calçada, feita de blocos intertravados, também é pensada para facilitar o escoamento da água.

Estas e outras matérias você encontra na Revista Oesp Construção Edição 117

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