Caso Cachoeira: CPI decide chamar Pagot e Paulo Preto

Para dividir holofotes com o julgamento do mensalão, a CPI do Cachoeira marcou para a última semana de agosto o depoimento de quatro personagens polêmicos: Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit); Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-dirigente da Dersa no governo do PSDB em São Paulo

Estadão

14 de agosto de 2012 | 23h00

Para dividir holofotes com o julgamento do mensalão, a CPI do Cachoeira marcou para a última semana de agosto o depoimento de quatro personagens polêmicos: Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit); Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-dirigente da Dersa no governo do PSDB em São Paulo; Fernando Cavendish, principal acionista da Delta Construções; e Adir Assad, dono da Rock Star, que recebeu verbas da Delta.

Esses depoimentos devem coincidir com a leitura das sentenças dos ministros do Supremo Tribunal Federal sobre os 38 réus do mensalão. Ao contrário da maioria dos depoentes que tem ido à CPI e ficado em silêncio, Pagot e Paulo Preto estão dispostos a falar. O ex-chefe do Dnit é considerado “um fio desencapado” por governistas e pela oposição. O PT vinculou sua ida à de Paulo Preto.

Ex-diretor da Dersa, empresa que administra as obras rodoviárias no Estado, Paulo Preto é ligado ao PSDB. Segundo Pagot, Paulo Preto teria pressionado pela liberação de verbas do Dnit para obras do Rodoanel. Parte dos recursos seria supostamente usada para abastecer um caixa dois de campanha do comitê de José Serra à Presidência. A pressão teria ocorrido em 2009. O PSDB rebateu as denúncias e prometeu processo contra Pagot.

Pelo cronograma divulgado pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), Pagot será ouvido no dia 28. Ex-filiado ao PR, partido que perdeu o Ministério dos Transportes há cerca de um ano debaixo de denúncias de irregularidades, ele também acusou o PT de usar o governo federal para bancar a campanha de 2010. Segundo Pagot, o alto escalão petista pediu auxílio para conseguir doações de empresas que tinham contratos com o Dnit. O PT negou a acusação. No mesmo dia 28, a CPI pretende ouvir Assad, dono da empresa Rock Star, que também teria ligações com tucanos.

No dia 29, devem ser ouvidos Paulo Preto e de Cavendish, sendo que o último deve ficar calado.

Convocação condicionada
A CPI também aprovou a reconvocação de Carlinhos Cachoeira. O contraventor, porém, só irá com a certeza de que vai falar. Em 22 de maio, ficou em silêncio. Também foi aprovada a quebra dos sigilos de Andressa Mendonça, atual mulher de Cachoeira. Ela é acusada de tentar chantagear o juiz Alberico Santos. Na próxima terça-feira, parlamentares ouvem ainda os procuradores responsáveis pelas investigações das Operações Vegas e Monte Carlo.
Eugênia Santos