Clima tenso no último debate

O clima tenso entre as campanhas de Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) se refletiu no último debate entre os candidatos à Prefeitura, na Globo.

Estadão

27 de outubro de 2012 | 16h55

O clima tenso entre as campanhas de Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) se refletiu no último debate entre os candidatos à Prefeitura, na Globo. O ponto máximo de nervosismo ocorreu quando o petista e o tucano trocaram acusações sobre mensalão. Eles ainda procuraram se desvincular, de modo sutil, de “pontos fracos” – o comando partidário, no caso de Haddad, e o prefeito Gilberto Kassab (PSD), no de Serra.

O candidato do PT partiu para o ataque desde o primeiro bloco, mostrando nervosismo em alguns momentos – prometeu “150km de metrô” e eram de ônibus e confundiu réplica com nova pergunta. Também teve momentos de ironia contra o tucano, como quando disse, sobre o assunto educação, que o “estava orientando para ele não cometer deslize de novo”. Serra devolveu em questão de saúde, acusando o rival de “não estar familiarizado com o tema”. E chegou a dizer que o concorrente “estava muito nervoso e agressivo”. “O que você nota de nervosismo é indignação. Corri a cidade e vi seus problemas”, rebateu o ex-ministro da Educação.

No início do segundo bloco, porém, coube a Serra perguntar sobre corrupção. O tucano pediu que Haddad “explicasse” as condenações de dirigentes petistas à prisão no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). “Hoje, quando se fala em corrupção, a lembrança imediata é a do mensalão.” O concorrente do PT devolveu: Tudo isso começou em Minas com o PSDB, que será julgado agora. Quem elaborou tudo isso foi o presidente do seu partido, o Eduardo Azeredo.” Apesar de dizer que seu partido defendeu a apuração do caso, Haddad tentou se desvincular do comando partidário. “Você (Serra) foi da cúpula do PSDB, eu não, nunca militei na instância partidária.”

Já Serra tentou dar um caráter “popular” ao mensalão: “O valor desviado (no esquema), R$ 200 milhões atualizados, daria para fazer 400 AMAs. Mensalão é tirar dinheiro do povo.” Haddad, então, citou o ex-diretor do Departamento de Aprovação de Projetos (Aprov) da Prefeitura, Hussain Aref Saab, nomeado por Serra no cargo, em 2005, e que tem seu patrimônio investigado pelo Ministério Público. “Um só servidor da Prefeitura enriqueceu esse valor. Sabe-se Deus o que está por trás disso.”

O tucano também tentou se descolar de Kassab quando cobrado por Haddad a avaliar a gestão do aliado político. Disse que Kassab se reelegeu em 2008, e que a cidade teve avanços, mas também “houve problemas, e os problemas continuam”. “Minha candidatura é para resolver os problemas da cidade.” Quando o petista disse que o secretariado do prefeito tinha integrantes indicados por Serra, ele respondeu que Kassab fez mudanças na equipe, e que, quando foi eleito governador em 2006, levou aliados para o Estado.

A saúde foi um dos temas mais evocados pelos candidatos, também com momentos tensos. Ao ser questionado por Serra sobre o Mãe Paulistana, voltado a mulheres grávidas, Haddad acusou o rival de “ver a mulher só como gestante”. “O Mãe Paulistana é um bom programa, mas não se pode restringir a saúde da mulher a ele.”

Ao criticar o rival por não propor parcerias com o governo federal, porém, Haddad abriu flanco para Serra afirmar que os petistas querem encerrar parcerias com Organizações Sociais (OSs) que atuam na saúde da capital. O petista negou e acusou o tucano de querer “privatizar” 25% dos leitos do Hospital das Clínicas para planos de saúde. Mas Serra ainda conseguiu encaixar seu discurso: “Por que só pessoas mais ricas podem ter atendimento padrão Einstein?”, disse, em referência ao hospital que é um dos parceiros da Prefeitura nas OSs.

O tucano, porém, teve de se desviar de questão de Haddad sobre o aumento dos homicídios na capital. Serra repetiu projetos e prometeu “iluminar toda cidade em um ano” e que “não brigaria com o governo federal” no setor. Virou alvo do petista. “Se você pode iluminar a cidade em um ano, por que não o fizeram em oito?” Haddad ainda criticou Serra pela não entrega dos três hospitais prometidos por Kassab em 2008, de novos corredores de ônibus e de atrasar obras prometidas de metrô.

Houve, ainda, um momento de curiosidade, com citações de Levy Fidelix, candidato do nanico PRTB. Haddad acusou Serra de “tirar da cartola” proposta de dobrar o Bilhete Único de 3h para 6h. O tucano respondeu que a ideia vinha “da cachola, não da cartola”. “Da cachola do Levy Fidelix”, emendou o petista.

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