Defesa de Jefferson diz que Lula ‘ordenou’ pagamentos

A defesa do presidente do PTB, Roberto Jefferson, sustentou aos ministros do Supremo Tribunal Federal que o ex-presidente Lula “ordenou” o mensalão. Francisco Corrêa Barbosa, advogado do ex-deputado que denunciou em 2005 a existência de pagamentos a parlamentares da base governista, cobrou a inclusão de Lula no processo

Estadão

13 de agosto de 2012 | 23h00

A defesa do presidente do PTB, Roberto Jefferson, sustentou aos ministros do Supremo Tribunal Federal que o ex-presidente Lula “ordenou” o mensalão. Francisco Corrêa Barbosa, advogado do ex-deputado que denunciou em 2005 a existência de pagamentos a parlamentares da base governista, cobrou a inclusão de Lula no processo e disse que a não citação de seu nome na denúncia é uma “omissão dolosa” do procurador-geral, Roberto Gurgel.

“É claro que Vossa Excelência não poderia afirmar que o presidente fosse um pateta, um deficiente, que sob suas barbas isto estivesse acontecendo e ele não sabia de nada”, afirmou Barbosa dirigindo-se a Gurgel.

A linha de defesa de Jefferson no julgamento do mensalão contradiz suas primeiras declarações sobre o escândalo. O ex-deputado costumava dizer que Lula era “inocente”. Concentrava suas acusações no ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu.

No STF, o discurso mudou. Barbosa tentou incluir o nome do ex-presidente no processo em outras ocasiões. Todos os pedidos foram rejeitados sob o argumento de que tal pedido era apenas uma manobra par tentar atrasar o julgamento do caso.

Para o defensor de Jefferson, porém, os ex-ministros do governo Lula acusados no processo pelo Ministério Público – José Dirceu, Anderson Adauto e Luiz Gushiken – seriam apenas auxiliares do presidente. Sem a inclusão do “mandante” e por falhas nas investigações, projetou Barbosa, haverá um “festival de absolvições” no julgamento e o culpado por isso, disse ele, será o procurador-geral da República.

Barbosa lembrou a versão contada por Jefferson de que teria levado a Lula a informação sobre a existência do mensalão. “O olho (do ex-presidente) chegou a lacrimejar diante dessa informação e prometeu tomar providências. O líder do PTB estava dando notícia de crime ao presidente da República”, disse o advogado.

Silêncio
O ex-presidente Lula optou pelo silêncio em relação à acusação do advogado de que ele seria o mandante do esquema conhecido como mensalão. Lula informou, através de sua assessoria de imprensa, que não iria se manifestar. Como vem fazendo desde o início do julgamento do processo em Brasília, ele passou o dia em seu escritório no instituto que leva seu nome, no bairro Ipiranga, em São Paulo, e não falou com a imprensa.