Paisagem eleitoral já domina a cidade

Tem um cavalete no meio do caminho. No meio do caminho tem um cavalete, um bandeirão, santinhos e toda aquela variedade de propaganda (ou lixo) eleitoral. A partir de agora, a eleição começa a espalhar seus nomes, números e siglas pela paisagem da cidade. Região central e periferias são os locais mais 'atingidos'.

Estadão

12 de agosto de 2012 | 23h00

Tem um cavalete no meio do caminho. No meio do caminho tem um cavalete, um bandeirão, santinhos e toda aquela variedade de propaganda (ou lixo) eleitoral. A partir de agora, a eleição começa a espalhar seus nomes, números e siglas pela paisagem da cidade.

“Por incrível que pareça, em plena era da comunicação digital (redes sociais, blogs, sites…), não vamos nos livrar desse tipo de campanha que produz poluição visual”, comenta a especialista em ciências sociais e políticas Katia Sais, que atua na USP e na PUC. “Esse é o despertar da campanha. Todo esse material nas ruas serve para o eleitor memorizar o número dos candidatos, reforçar a marca dos partidos. Nenhum político pode ou vai abrir mão disso”, completa a especialista.

É na periferia da cidade que, por enquanto, os candidatos têm concentrado seus esforços de campanha. O canteiro central de grandes avenidas, como a Teotônio Vilela (Grajaú), estão tomados por cavaletes. Os santinhos também já cobrem o asfalto – algumas casas ou comércios também emprestam suas fachadas para propaganda política.

Na região central, o eleitor também vai se deparar com muito material de campanha. O Viaduto do Chá, em frente à Prefeitura, é um dos pontos preferidos dos candidatos para panfletagem e caminhadas. No Vale do Anhangabaú, também na região central, quem está dominando a paisagem é o candidato Gabriel Chalita (PMDB), que tem um comitê nas redondezas do local.

O curioso é que todo esse material de campanha, que já está nas ruas, mostra sinais precoces de deterioração. Impressiona o número de cavaletes destruídos, de santinhos jogados no chão e banners rasgados. Para a presidente do Instituto GEA – Ética e Meio Ambiente, Ana Maria Domingues Luz, os candidatos deveriam ser responsáveis por impedir que esses materiais sujem a rua. “Além disso, acho que o próprio eleitor deveria se negar a pegar esses papeizinhos – e, se pegar, guardar na bolsa a na carteira”, sugere.

David Amorim, responsável pela comunicação da Rede Cata Sampa, que reúne cooperativas de catadores em São Paulo, diz “esperar que partidos e políticos tomem a iniciativa de contactar as cooperativas para uma grande ação de limpeza e reciclagem durante as eleições”.