Projeto de Haddad prevê ajuda de Dilma

Sem a presença do ex-presidente Lula, o candidato Fernando Haddad (PT) apresentou seu plano de governo cujo mote central é o redesenho do modelo de desenvolvimento urbano da cidade. Ao custo estimado de R$ 20 bilhões em obras de infraestrutura, que os petistas querem que sejam bancados em parte pelo governo federal

Estadão

13 de agosto de 2012 | 23h10

Sem a presença do ex-presidente Lula, o candidato Fernando Haddad (PT) apresentou seu plano de governo cujo mote central é o redesenho do modelo de desenvolvimento urbano da cidade. Ao custo estimado de R$ 20 bilhões em obras de infraestrutura, que os petistas querem que sejam bancados em parte pelo governo federal, ele pretende rever o funcionamento das Operações Urbanas, projeto comum a José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD).

O principal ponto do programa é o Arco do Futuro – batizado por João Santana, marqueteiro petista –, eixo viário ao longo do qual Haddad pretende reestruturar a cidade. Ele é compreendido pelas Avenida Cupecê, Vicente Rao e Roque Petroni, na zona sul, as Marginais Pinheiros e Tietê e pela Avenida Jacu Pêssego, na zona leste.

Com a proposta, o PT tenta vender a ideia de que nem a atual gestão nem a candidatura Serra têm uma visão integrada de longo prazo para a capital. “A gente quer descentralizar a cidade, e para isso tem que ter visão de futuro”, afirmou o coordenador da campanha, Antonio Donato. “A cidade sofre por não ter horizonte e sofre com a incapacidade dos tucanos de apresentar um futuro para ela”. Serra não quis comentar o plano de Haddad, mas um de seus coordenadores, Orlando Morando, sustentou ver “pirotecnia” na proposta e disse tratar-se de “reedição do governo Marta Suplicy”.

Segundo a campanha petista, o custo de R$ 20 bilhões em quatro anos seria dividido com o governo federal, que entraria com recursos próprios, empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros empréstimos. “Temos apoio federal (para o plano)”, disse Haddad. “Isso foi pré-pactuado. O pressuposto da minha candidatura é uma forte parceria com o governo federal”.

O texto do plano afirma que três Operações Urbanas em curso (Brás-Lapa, Mooca-Vila Carioca e Vila Sonia), além do Projeto Nova Luz, deverão ser “revistos e implementados”, “sob novas diretrizes e não necessariamente como operações urbanas”. No único debate realizado na TV até agora, Serra prometeu criar uma nova operação urbana na região do Ipiranga. Na campanha petista, o Arco do Futuro é tratado como uma espécie de grande operação urbana.

Para colocá-lo em prática, Haddad promete, além de incentivos fiscais, que isoladamente já se mostraram infrutíferos na tentativa de descentralizar as atividades produtivas da cidade tanto na gestão Marta Suplicy quanto na gestão Gilberto Kassab, “o estímulo ao investimento para implantação de atividades econômicas privadas baseadas em trabalho intensivo” e a instalação de equipamentos públicos nas áreas de educação, saúde, cultura e lazer.
Mudança na saúde
Haddad também propõe mexer nas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs), outra bandeira das gestões Serra e Kassab. A ideia dos petistas é colocar as AMAs Especialidades em uma rede de mini-hospitais em cada uma das regiões das subprefeituras. Em todas, as pessoas poderiam se consultar com um especialista, fazer exames e passar por cirurgias simples.

Bruno Lupion, Fernando Gallo e
Guilherme Waltenberg