Corredoras brasileiras criticam etíopes

Algumas corredoras da Etiópia, que venceram duas vezes a tradicional prova paulistana, os alvos da indignação das brasileiras. Marily dos Santos, terceira colocada nos últimos dois anos, queixa-se de jogo sujo, como cusparadas e pisões

Redação Esportes

30 de dezembro de 2010 | 23h31

Desde 1992, ano em que foi registrada a primeira vitória de um africano na São Silvestre, muito se comentou sobre as virtudes dos quenianos, que já somam 12 triunfos na prova masculina e seis na feminina. Mas são algumas corredoras da Etiópia, que venceram duas vezes a tradicional prova paulistana, os alvos da indignação das brasileiras.

Marily dos Santos, terceira colocada nos últimos dois anos, queixa-se de jogo sujo. E o adjetivo, nesse caso, é empregado de forma literal. A alagoana diz que já foi alvo de cusparadas e de “catarradas” de fundistas etíopes. “Meus óculos são à prova d’água, não de catarro.”

A desconcentração provocada pelo uso das táticas nojentas é grande. Na Meia-Maratona do Rio, Marily esperou com ansiedade que atingisse um posto de hidratação para que pudesse lavar um braço atingido pela cusparada de corredora etíope.

Gilmário Madureira, marido e treinador de Marily, faz questão de destacar que as quenianas têm outro padrão de comportamento e correm de forma limpa. Ele ressalvou também que a etíope Derartu Tulu, campeã da SS em 1994 e dona de duas medalhas de ouro olímpicas nos 10 mil metros, tampouco fez uso de jogo sujo. “A Tulu é uma atleta olímpica, muito correta. As que fazem esse tipo de coisa são as etíopes mais jovens.”

Apenas uma etíope integra a lista de estrangeiras inscritas neste ano, Zert Worku Boku. Ela não foi localizada pelo JT para comentar as declarações de Marily, que não se conteve em sua indignação. “Isso me deixa incomodada. Depois é fácil criticar a Marily por não ter vencido”, desabafou a atleta.

Até mesmo Edielza Alves dos Santos, que é hare krishna e procura cultivar a tolerância, fica perturbada com as atitudes antidesportivas. “É uma coisa que chega a desconcentrar. Eu procuro me afastar quando acontece algo assim.”

Marily já chegou a mandar para o espaço a tática de corrida na ânsia de fugir das cusparadas e dos temíveis pisões no calcanhar, que podem descalçar os tênis ou até provocar quedas. “Teve uma vez que eu fiz uma doideira. Acelerei o ritmo para escapar e acabei jogando fora a chance de uma vitória.”

Por falar em chance de vitória, o favoritismo da queniana Alice Timbilili é grande. Em julho, ela correu uma prova de 15km em Tóquio em 48min15, dois minutos abaixo do recorde da SS.

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