Grummy, a revelação do polo aquático

O rapaz garante que nunca foi pressionado a nada, mas a verdade é que ele não teve como fugir da sina nas piscinas. Gustavo Guimarães, o Grummy, 17 anos, revelação brasileira do polo aquático, vem de uma família que dedicou a vida ao esporte

Redação Esportes

12 Abril 2011 | 03h12

(Foto: JF Diório/AE)

PAULO FAVERO

O rapaz garante que nunca foi pressionado a nada, mas a verdade é que ele não teve como fugir da sina nas piscinas. Gustavo Guimarães, o Grummy, 17 anos, revelação brasileira do polo aquático, vem de uma família que dedicou a vida ao esporte. O avô participou de sete Olimpíadas, o pai foi jogador – ganhou bronze em um Pan-Americano – e é técnico de polo aquático e a mãe e a avó fizeram saltos ornamentais. “Eu cresci nesse ambiente. Via meus pais trabalhando como treinadores e acabei gostando.”

Ele acabou escolhendo o polo aquático e desde cedo começou a chamar atenção. “Com sete anos eu já tinha uma voz grossa. Aí os amigos viram na televisão um ogro que se chamava Glommer e passaram a me chamar assim. Justamente por eu não gostar do apelido é que pegou. Mas acabou virando Grummy”, conta.

Aos 11 anos, o garoto já fazia treinamento de levantamento de peso com o professor Edmilson Dantas. Ganhou massa muscular e, aos 16, já estava na Seleção adulta de polo aquático. “Ser considerado uma promessa me dá mais força. Então eu me dedico ao máximo, trabalho bastante, muito forte. Nas férias, viajo para jogar polo aquático. Eu tenho um sonho e não quero me decepcionar.”

Grummy não pensa pequeno em seus objetivos. “Tenho vontade de ser o melhor jogador do Brasil. A longo prazo, penso na Olimpíada de 2016. Não quero ser um jogador comum, quero ser diferenciado”, diz. Ele tem como ídolos na modalidade dois atletas que já receberam o título de melhor do mundo: o sérvio Vladimir Vujasinovic e o cubano Ivan Pérez, que atua pela seleção espanhola. Não à toa, escolheu o número 11, o mesmo dos dois jogadores. “E também porque meu pai era goleiro e usava o número um. Foi uma forma de homenageá-lo.”

No momento, o pensamento do atleta está todo voltado para o Pan de Guadalajara. Tanto que largou a escola e está estudando em casa, com apostilas. Ele segue uma rotina diária que inclui cerca de três horas e meia de musculação e condicionamento físico, o mesmo tempo dentro da piscina e ainda quatro horas dedicadas aos estudos. “Temos chances de chegar à final do Pan. A Seleção tem um técnico croata (Goran Sablic) e ele gosta de priorizar a parte física.”

Grummy é atleta profissional do Sesi, com carteira assinada e tudo. Já morou na Espanha, treinou na Itália e jura que consegue ter uma vida fora das piscinas como qualquer outro jovem, mesmo com tanto trabalho duro. “Eu namoro, me divirto, saio no fim de semana e curto a família”, fala o garoto, que tem tudo para ajudar o Brasil nos Jogos do Rio.