Muricy diz não e fica no Flu

Muricy Ramalho e a CBF chegaram a um acordo na manhã de saxta, 23, que durou poucas horas. O técnico comandaria a Seleção até 2014. O Fluminense, porém, não liberou o treinador, que à tarde treinou o time no Rio. Ele decidiu permanecer no Flu

Redação Esportes

24 Julho 2010 | 00h03

Silvio Barsetti

Rio – Muricy Ramalho e a Seleção Brasileira chegaram a um acordo que durou poucas horas. O técnico comandaria a equipe até 2014. Não havia nada de oficial, pois faltava a conversa com dirigentes do Fluminense para formalizar sua saída. Ninguém da CBF admitia que o clube criasse alguma dificuldade. Mas foi o que ocorreu. O Flu não o liberou e Muricy, convidado na manhã desta sexta-feira, 23, para ser o substituto de Dunga, terminou o período da tarde com o uniforme de treino do Tricolor nas Laranjeiras. Ele decidiu permanecer no clube.

A estratégia para contratar Muricy começou a ser articulada na quinta-feira. Logo após a vitória do Fluminense sobre o Cruzeiro por 1 a 0, resultado que levou o clube carioca à liderança do Brasileirão, Muricy foi abordado na garagem do Maracanã por um funcionário da CBF, Victor Rios. De uma rápida conversa, surgiu o convite para que o treinador estivesse ontem, às 10 horas, no Itanhangá Golf Club, na zona oeste da cidade, a fim de manter um encontro reservado com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o assessor de imprensa Rodrigo Paiva.

Muricy nem hesitou. Acordou cedo e chegou ao local antes mesmo do horário marcado. Ricardo Teixeira faz do clube de golfe uma extensão de seu gabinete da sede da CBF. Lá, já fechou vários contratos para a confederação e recebeu visitas ilustres. Em 2002, o dirigente, às vésperas da convocação para a Copa, chamou Romário para um bate-papo no restaurante do Golf Club. Intencionalmente, o encontro com o então craque logo chegou ao conhecimento da imprensa. Na época, Luiz Felipe Scolari não se sentiu intimidado e manteve Romário fora da lista.

Privacidade
Teixeira e Paiva queriam sigilo e pediram discrição a Muricy. Tanto que o treinador chegou ao Itanhangá num carro dirigido por Victor Rios. A entidade pretendia anunciar o nome do novo técnico no fim da tarde, por meio de uma mensagem em seu site oficial. O objetivo era dar tempo para que Muricy comunicasse a decisão à diretoria do Fluminense. Isso evitaria constrangimentos. Mas houve um contratempo. O clube, localizado numa das áreas mais nobres do Rio, abriga uma etapa do Campeonato Brasileiro de Golfe, competição que ontem atraiu uma equipe de reportagem da ESPN Brasil.
Não havia como impedir a entrada da imprensa ao Golf Club e logo a informação começou a ser veiculada. Os dirigentes e Muricy ficaram reunidos por uma hora e meia. O técnico deixou o Itanhangá pouco antes do meio-dia e disse apenas que estava muito feliz e que gostaria sim de comandar a Seleção. “Quero (ser o técnico do Brasil), lógico.”

Dali, ele seguiu para uma reunião com o presidente do Fluminense, Roberto Horcades. Tentaria sua liberação de forma amigável, uma vez que a CBF exige exclusividade.

Minutos depois, Teixeira, em entrevista à TV Globo, disse que Muricy teria todas as condições para tocar o projeto de renovação da Seleção. “A gente acredita que essa renovação será paulatina, para que não haja qualquer tipo de precipitação. Mas o objetivo é 2014. Tenho a certeza de que ele pode fazer esse trabalho”, declarou o presidente da CBF, satisfeito com a conversa.
No entanto, o dirigente fez uma ressalva. “Espero que ele possa confirmar a aceitação, em seguida a gente escolhe o restante da comissão.”

No início da tarde, em entrevista ao site Terra, Muricy foi incisivo. Disse que se o Fluminense não deixasse, ele não assumiria a Seleção. “Se o Flu não me liberar, o papo vai ser encerrado. Eu tenho que dar exemplo para os meus filhos. O Fluminense me buscou em São Paulo e eu não posso deixá-lo na mão. Se o Flu não liberar, eu não vou”, afirmou.

Pouco antes, o presidente do Tricolor, Roberto Horcades, atendeu ao telefonema da reportagem do JT bastante exaltado. Aos gritos, ele nem esperou a primeira pergunta. “Se for para falar de Muricy, ele tem contrato em vigor. Manda a CBF chamar o Mano Menezes.” O dirigente depois desligou a ligação.