Não faltou ousadia ao Santos

O Santos empatou por 0 a 0 contra o Americana, mas Muricy Ramalho deu uma goleada em quem esperava um time na retranca e cheio de chuveirinhos. Levando em consideração o “DNA ofensivo do Santos”, um jeito pomposo de dizer que o time sempre jogou para a frente, ele colocou três atacantes em campo.

Redação Esportes

10 de abril de 2011 | 21h01

O Santos empatou por 0 a 0 contra o Americana, mas Muricy Ramalho deu uma goleada em quem esperava um time na retranca e cheio de chuveirinhos.

Levando em consideração o “DNA ofensivo do Santos”, um jeito pomposo de dizer que o time sempre jogou para a frente, ele colocou três atacantes em campo: Neymar, Maikon Leite e Zé Eduardo. Além disso, o jogo com dois meias ofensivos (Ganso e Danilo). Quem te viu e quem te vê, Muricy!

Por trás da escalação, no entanto, uma motivação mais pragmática. Como Neymar está suspenso do jogo decisivo contra o Cerro Porteño quinta-feira pela Copa Libertadores, ele queria montar sua estratégia de ataque em cima da velocidade e dos deslocamentos de Maikon Leite. O outro atacante deverá ser mesmo Keirrison, fixo na área, por falta de melhores opções.

O pé d’água que caiu na cidade de Americana estragou a prancheta de Muricy. Mesmo que os três atacantes se movimentassem, abrindo a defesa adversária, eles não conseguiam parar em pé. Neymar foi bem marcado e até caçado em alguns lances. Maikon Leite apareceu pouco, escorregando a toda hora.

O Santos foi um time misto, mas com sustância. Embora a zaga titular (Edu Dracena e Durval) estivesse no banco, Elano deu peso e qualidade ao meio campo; Alex Sandro, campeão Sub-20 ao lado de Neymar e Lucas, ganhou nova chance com o descanso de Léo.

Para o Americana, o jogo não era para testes. Depois de duas vitórias seguidas, o time ainda tinha chances de chegar à fase final. O técnico Toninho Cecílio falou em decisão e queria que o time chutasse de fora da área. Fumagalli seguiu o conselho aos 20, mas acertou a barreira.

Apesar das estratégias bem montadas, faltava objetividade. O Santos tocava na intermediária, mas não finalizava. A melhor chance só aconteceu aos 37, quando Zé Eduardo lançou Maikon Leite, que chutou bem, cruzado, raspando a trave. Em seguida, Elano acertou o canto direito em boa cobrança de falta.

Cansado dos tombos de Maikon Leite, Muricy colocou Alan Patrik e pediu que ele “flutuasse atrás dos volantes”. Cansado da falta de imaginação, chamou Paulo Henrique Ganso, atitude celebrada pela torcida, no lugar do volante Possebon. Quem te viu e quem te vê, Muricy! O time ficou com três atacantes e dois meias ofensivos. É até redundância dizer que o Santos melhorou com a entrada de Ganso. Mesmo com o gramado encharcado, cadenciou o jogo e organizou as jogadas de ataque.

Desesperado pela vitória, o Americana colocou mais um atacante (Luís Felipe) e ainda trocou um volante (Gersimar) por John. O time do interior foi para cima e, na base do entusiasmo, Marcinho acertou bons chutes na metade do segundo tempo.

JOGO ABERTO

O jogo, antes travado no meio, ficou aberto, com jogadas mais agudas. Aos 12 e aos 22, Neymar mostrou porque é um dos grandes do futebol brasileiro criando duas jogadas de perigo a partir de lances mortos.

Aos 40 minutos, o Americana conseguiu marcar com Fumagalli, no meio da área, mas o trio de arbitragem marcou impedimento. Lance polêmico só desvendado pela câmera lenta da TV: a bola foi recuada pelo lateral Alex Sandro e, portanto, não haveria impedimento. O técnico Toninho Cecílio ficou alucinado, mas seu time não merecia os três pontos. Nem o Santos.

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