Um estádio com a cara da Fiel

Um estádio com a cara de sua torcida. É isso que pretende o Corinthians com a construção do Itaquerão. Tudo foi pensado levando-se em conta o perfil social dos fãs alvinegros e com a intenção de fazer o ingresso caro subsidiar o barato

Redação Esportes

11 de julho de 2011 | 11h46


Crédito: CDC Arquitetos

PAULO FAVERO

Um estádio com a cara de sua torcida. É isso que pretende o Corinthians com a construção do Itaquerão. Tudo foi pensado levando-se em conta o perfil social dos fãs alvinegros e com a intenção de fazer o ingresso caro subsidiar o barato. Haverá setores populares, mas também espaços luxuosos para empresas e pessoas de alta renda, que poderão assistir a uma partida de futebol com todo requinte.

Dentro do planejamento de construção da arena, o Corinthians contratou uma empresa internacional, que mapeou o perfil de sua torcida. O documento mostrou que o clube é líder entre o público da classe A.

O material foi enviado para o escritório CDC Arquitetos, que fez o projeto do estádio. “Nós recebemos esse resultado e tivemos a noção exata de quantos lugares deveríamos oferecer para cada tipo de ingresso”, conta o arquiteto Anibal Coutinho.

O especialista conta que o Itaquerão foi pensado de forma a mostrar uma preocupação com o conforto do público presente e com a receita que pode gerar para o clube. “Teremos um setor popular, que é uma tendência contemporânea. Muitos estádios da Europa possuem isso. Nos Estados Unidos, partidas de beisebol contam com setores com ingressos a menos de US$ 10 (R$ 15,6). Então concentramos no lado oeste do estádio 13 mil lugares de setores mais caros, que viabilizam os outros 35 mil lugares”, diz.

Até o espaço das organizadas, atrás dos gols, foi projetado com a intenção de deixar o torcedor próximo do campo e ao mesmo tempo poder pressionar os times visitantes. “O lugar que a Gaviões e as outras uniformizadas do clube ficarão é excepcional. Só para se ter uma ideia, a distância das cadeiras para o campo é de sete metros na lateral e de nove metros no fundo”, explica o arquiteto, complementando. “O Corinthians briga para ter um lado luxuoso, para poder fazer o outro lado ficar mais barato. Vai tirar de quem pode.”

A ideia de fazer um estádio segmentado partiu do departamento de marketing do clube do Parque São Jorge. O diretor Luis Paulo Rosenberg sabe que a receita da nova arena será de suma importância não só para a manutenção do campo para 48 mil espectadores – na Copa de 2014 será de 65 mil, para receber a abertura, mas a capacidade será diminuída após o torneio – como para ajudar na contratação de reforços. E ele também entende que, se o Corinthians colocar ingressos muito caros, a Fiel vai fazer barulho.

Requinte

Uma das sacadas do projeto do Itaquerão foi montar um espaço nas quinas da arena para a realização de grandes eventos. “Teremos quatro grandes camarotes nas duas pontas do estádio, que vão abrigar cerca de mil pessoas. É um espaço enorme para eventos e uma empresa pode alugar para o dia inteiro, fazer seus trabalhos, e à noite a atividade culmina em uma partida de futebol. Neste espaço teremos rampas com vista para o gramado”, revela Coutinho.

Outro setor que deve gerar renda é o das cadeiras business, que ficará acima do camarote. Com capacidade para receber até 650 pessoas, é um setor de luxo, ultra exclusivo. Nele, as cadeiras são de couro e o público terá a melhor vista do campo. Os ingressos para cada uma das áreas ainda não foi definido pelo Corinthians, que comprou um programa específico para calcular os preços de cada setor.

Ainda no que se refere à estrutura, o estádio terá seis tipos diferentes de cadeiras para o torcedor: acolchoada, com braço, sem apoio etc. Todas terão o assento rebatido, tendência nos estádios mais modernos.

Desde o início do processo de criação do estádio, houve muita conversa com a Fifa para adaptar a ideia original às expectativas da entidade. Diversas alterações foram feitas, ainda mais levando-se em conta que será um estádio padrão abertura de Copa, que é muito superior a um padrão Fifa. “O jogo de abertura tem padrões que são às vezes superiores aos do estádio da final. Nesta Copa a Fifa começou a exigir as coisas em um padrão maior do que nas outras edições”, comenta Coutinho.

Agora o projeto está pronto, só esperando a assinatura do contrato com a Odebrecht para sair do papel. “Encaramos as exigências da Fifa com uma vontade muito grande de vencê-las. Queremos fazer melhor do que a Fifa pede. As exigências buscam a qualidade e o que é bom para ela, será bom também para o torcedor”, conclui.


Crédito: CDC Arquitetos

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