Alemã vive há 16 anos sem dinheiro

Há 16 anos, cansada da vida que levava como professora e psicoterapeuta, a alemã Heidemarie Schwermer, de 69 anos, se desfez de todas as suas posses mais valiosas e decidiu viver sem um tostão no bolso. A experiência é narrada em três livros e em um documentário

Redação

10 de julho de 2012 | 23h11

Há 16 anos, cansada da vida que levava como professora e psicoterapeuta, a alemã Heidemarie Schwermer, de 69 anos, se desfez de todas as suas posses mais valiosas e decidiu viver sem um tostão no bolso. A experiência é narrada em três livros e em um documentário.

No início, Heidemarie imaginou que a vida sem dinheiro duraria um ano, mas pouco depois de começar, percebeu que não precisava mais do dinheiro. “Foi uma grande libertação”, afirmou à BBC, lembrando como deu de presente tudo o que tinha, incluindo seu apartamento. “O melhor é a sensação de abertura. Não sei o que acontecerá à noite, nem na manhã do dia seguinte.”

Ela explicou que se mantêm à base de trocas: oferece seus serviços – que vão desde limpar casas até ajudar pessoas com problemas pessoais – em troca de teto, roupas e comida. “Dou o que quero dar e me dão o que eu preciso. Muita gente tem problemas ou está sozinha. Eu os escuto e os ajudo a pensar sobre o que querem fazer com suas vidas.”

Na prática, Heidemarie recebe convites de pessoas de diferentes lugares do mundo que a querem receber e seus anfitriões enviam a passagem para que ela possa ir. Organizações e instituições também a convidam para dar palestras e seminários sobre seu modo de vida.

Graças a uma entrevista que deu a uma emissora de rádio, o nome da ex-professora tornou-se conhecido na Alemanha. Outras entrevistas na televisão e diversas matérias em jornais e revistas popularizaram ainda mais sua imagem e seu projeto.

O interesse por Heidemarie cresceu até se transformar em três livros – os lucros foram doados para organizações de caridade – e no documentário Living without money (Vivendo sem dinheiro, em tradução livre), que já foi exibido em 30 países.

Críticas
Alguns críticos consideram Heidemarie um “parasita”, pois vive com o dinheiro dos outros. De acordo com a BBC, muitos moradores de rua também não conseguem se identificar com uma mulher de classe média que não tem nada porque simplesmente não quer.

“É verdade que são os outros que ganham salários para pagar o que eu como, mas eu também trabalho todos os dias. Faço coisas para as pessoas. No mundo ocidental há muitas pessoas que se sentem isoladas, e eu as ajudo com minha presença. Posso ser uma mãe, uma irmã, uma amiga, o que precisarem”, afirmou a alemã. “Quem diz isso é porque vive no velho sistema, mas tudo vai mudar”, completou.

Medo da idade
Os críticos questionam como ela irá envelhecer sem dinheiro. Nada que pareça preocupá-la. “A velhice? Eu já sou velha! Quando o problema se apresentar, a solução também se apresentará.”