Alerta: 30 mil seios de silicone com defeito

As francesas estão preocupadas. O governo determinará que 30 mil retirem os implantes de próteses mamárias da marca Poly Implant Prothèses (PIP) depois que foram registrados casos de câncer em oito pacientes. A PIP teve sua venda proibida no Brasil em 2010

Redação

20 de dezembro de 2011 | 21h50

(Foto: Eric Gaillard/Reuters) Produto da PIP: casos de câncert

As francesas estão preocupadas. O governo determinará que 30 mil retirem os implantes de próteses mamárias da marca Poly Implant Prothèses (PIP) depois que foram registrados casos de câncer em oito pacientes. A PIP teve sua venda proibida no Brasil em 2010.

“É urgente que todas as mulheres que têm próteses PIP voltem a consultar seus cirurgiões”, declarou a porta-voz do governo, Valerie Pecresse, ao jornal Libèration.

“Vamos pedir a todas que usam próteses PIP que as retirem”, disse ela. Segundo Valerie, as próteses podem romper e provocar câncer, além de inflamações.

Casos da doença foram registrados em pacientes com os implantes defeituosos, incluindo cinco de mama, um caso de linfoma raro de seio, um de linfoma de amígdala e outro de leucemia, segundo o médico Jean-Yves Grall. Desde março de 2010 foram efetuadas 523 operações para retirada das próteses.

Defeito

Especialistas dizem que as próteses são defeituosas, rompem-se com mais facilidade e teriam causado ao menos uma morte, além de serem consideradas uma ameaça. Suspeita-se que a empresa tenha usado silicone industrial, e não médico, nas próteses.

O Ministério da Saúde informou que os custos da cirurgia de extração ficarão a cargo do Estado. As mulheres que colocaram o implante após uma cirurgia de câncer de mama – cerca de 20% dos casos – terão as novas próteses reembolsadas. Já a grande maioria das mulheres que colocaram os implantes PIP por razões estéticas terão a extração paga pelo governo francês, mas vão arcar com o custo das novas próteses.

Caso seja levada a cabo, seria uma decisão única na história da cirurgia estética.

A marca PIP, fundada em 1991 na costa azul francesa, perto de Toulon, chegou a ser o quarto fabricante mundial de implantes mamários, mas atravessou um período de dificuldades financeiras e trabalhava sem a devida autorização das autoridades, ainda segundo o Libération.

No Brasil, a importação e o comércio das próteses da PIP foram proibidas em abril de 2010, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo a agência reguladora, a medida foi tomada por conta do alto risco de rompimento oferecido pelos implantes.

Segundo o jornal francês, seriam cerca de 300 mil mulheres afetadas em todo o mundo.

Tudo o que sabemos sobre:

França

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.