Após mortes em escola, França caça ‘serial killer’

A ação de um terrorista de extrema direita ou de um radical islâmico são as duas principais hipóteses investigadas pela polícia da França para o assassinato de três crianças e um professor em uma escola israelita de Toulouse. Atirador usou mesmo método e disparou contra soldados no último dia 11 e 15

Redação

19 de março de 2012 | 23h59

(Foto: Jacques Brinon/AP) Pânico na escola Ozar Hatorah

A ação de um terrorista de extrema direita ou de um radical islâmico são as duas principais hipóteses investigadas pela polícia da França para o assassinato de três crianças e um professor em uma escola israelita de Toulouse.

O crime ocorreu pouco antes das 8 horas, quando um homem armado estacionou uma moto – uma scooter mais potente – e desceu atirando em estudantes e pais que chegavam à escola, antes de fugir sem ser identificado.

O ataque pôs em vigor o Plano Vigipirata (alerta antiterrorismo), e lançou a França a uma caçada de seu novo inimigo número 1.

Ao que tudo indica, o crime foi premeditado para ocorrer no horário da entrada da  Ozar Hatorah, a maior escola da comunidade judaica de Toulouse. Três crianças – Aryeh Sandler, de 3 anos, Gabriel Sandler, de 6, e Miryam Monsonégo, de 8 – foram mortas, além do pai das duas primeiras, Jonathan Sandler, de 30 anos, professor de religião da instituição.

Segundo testemunhos obtidos pelo procurador Michel Valet, o atirador usou duas pistolas e gastou toda a munição. “O assassino atirou no que havia em sua frente. Algumas crianças foram perseguidas dentro da escola.”

Depois, o criminoso retornou para a moto e partiu. O atirador não foi identificado, pois usava capacete. A comunidade judaica da França – a terceira maior do mundo, depois da de Israel e da dos EUA – denunciou um ato antissemita. Essa tese foi usada pela presidente da França, Nicolas Sarkozy, e pelo ministro do Interior, Claude Guéant. “Ao tomar crianças e professores judeus como alvo, a motivação antissemita parece evidente”, denunciou o chefe de Estado, em visita ao local da tragédia.

O governo anunciou o reforço da segurança nas imediações de escolas israelitas do país. Uma manifestação foi organizada pelas ruas de Paris até a Praça da Bastilha, em solidariedade às vítimas e seus parentes. O governo de Israel qualificou o ataque de “horrível”, mas manifestou a confiança de que a França será capaz de esclarecer as circunstâncias da ação.

Ao longo do dia, a hipótese de crime puramente antissemita foi deixada de lado, mas o de motivação xenofóbica ganhou força. Isso porque o atirador usou o mesmo método e disparou com a mesma arma – uma pistola automática .45 – no dia 11 e na quinta-feira

A ação de um terrorista de extrema direita ou de um radical islâmico são as duas principais hipóteses investigadas pela polícia da França para o assassinato de três crianças e um professor em uma escola israelita de Toulouse.

No primeiro ataque, em Toulouse, ele matou um soldado depois de fingir estar interessado em comprar uma moto. Em nova ofensiva, matou outros dois soldados na vizinha cidade de Montauban, Os três militares tinham origem árabe. Um terceiro soldado, cuja família veio de Guadalupe, ficou ferido no segundo ataque.

As evidências levaram a Direção Central de Informação Interna (DCRI), o serviço secreto que atua em território francês, a investigar como prioritária a hipótese de um ataque terrorista de caráter xenofóbico cometido por um militante de extrema direita.

Andrei Netto, de Paris

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