Ártico não terá gelo em 2016

Tamanho da área sem capa de neve em 16 de setembro de 2012 é a maior já registrada desde que as imagens de satélite da área começou a ser monitorada; Cientistas estão alarmados

Redação

19 Setembro 2012 | 23h01

Ambientalistas e cientistas classificaram 16 de setembro de 2012 como sendo o dia em que caíram por terra os antigos prognósticos — até mesmo os mais pessimistas — sobre quando o Mar Ártico iria derreter totalmente durante o verão do hemisfério norte. Tudo porque imagens de satélites feitas na região revelaram que a capa de gelo do polo norte alcançou no domingo sua menor área de extensão desde que o fenômeno começou a ser monitorado, em 1979.

No dia 16, a cobertura de gelo no Mar Ártico era mais de 700 mil km² menor do que o recorde registrado em 18 de setembro de 2007, quando a neve cobria 4,17 milhões de km². Isso representa a redução de uma área equivalente a três vezes o Estado de São Paulo.

Imagem de satélite mostra o quanto recuou o gelo no Polo Norte (Foto: DIVULGAÇÃO/NASA)

O recuo da capa congelada foi de 18% quando comparada com a marca de cinco anos atrás. Os dados foram divulgados ontem pelo Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo (NSIDC, na sigla em inglês), órgão do governo norte-americano que fica no Colorado.

Os cientistas demonstraram preocupação com o acelerado degelo no Polo Norte é inesperado. Ambientalistas sempre alertaram para a possibilidade do mar se derreteria complemente durante o verão. Tomando tanto previsões mais otimistas quanto as mais catastróficas, os cientistas acreditavam antes que o Ártico ficaria livre para a navegação entre 2070 e 2040. Mas agora eles preveem que isso ocorra já em 2016.

“Entramos num território desconhecido”, disse Mark Serreze, diretor do NSIDC. “Há muito tempo sabe-se que as mudanças causadas pelo aquecimento do planeta seriam mais rápidas e evidentes no Ártico, mas poucos estavam preparados para a rapidez com que isto vai acontecer”, acrescentou o especialista.

Walt Meier, cientista do NSIDC, também se surpreendeu com a velocidade do degelo. “O recorde anterior já era muito baixo, mas agora temos a metade da superfície de gelo que existia ali apenas algumas décadas atrás.”

Meier enfatizou que o degelo é apenas em parte consequência de causas naturais. Ele e a maioria dos cientistas acreditam que o fenômeno é resultado das mudanças climáticas provocadas pelas emissões de CO2. Para Rod Downie, da WWF, as grandes nações devem mostrar liderança global na “urgente transição dos combustíveis fósseis para uma economia de baixo carbono”.

O degelo no Ártico tem criado enormes expectativas por parte das companhias petrolíferas, de gás e mineração que esperam explorar a área inexplorada.