Redação
02 de março de 2011 | 21h40
O papa Bento XVI exime pessoalmente os judeus das acusações de que foram responsáveis pela morte de Jesus, repudiando o conceito de culpa coletiva que tem assombrado há séculos as relações entre cristãos e judeus.
No segundo volume de seu livro, “Jesus de Nazaré” – que será lançado na próxima semana –, o pontífice faz uma complexa avaliação teológica e bíblica. O Vaticano divulgou ontem trechos breves da nova obra.
A Igreja Católica oficialmente repudiou a ideia da culpa coletiva judaica pela morte de Cristo em um importante documento produzido pelo Segundo Concílio do Vaticano, em 1965.
Acredita-se que seja a primeira vez que um papa tenha feito uma análise tão detalhada e uma comparação entre os vários relatos do Novo Testamento sobre a condenação de Jesus à morte pelo governador romano Pôncio Pilatos.
“Agora precisamos perguntar: quais foram exatamente os acusadores de Jesus?”, questiona Bento XVI, acrescentando que o Evangelho de São João afirma apenas que foram “os judeus”.
“Mas o uso dessa expressão por João não aponta, de forma alguma – como o leitor moderno poderá supor –, o povo de Israel em geral, menos ainda tem um caráter ‘racista’”, escreve o pontífice.
“Afinal, o próprio João era etnicamente judeu, assim como Jesus e todos os seus seguidores. A comunidade cristã antiga inteira era formada por judeus”, escreve ele.
Bento XVI diz que a referência era à “aristocracia do Templo”, que queria Jesus condenado à morte porque ele havia se declarado rei dos judeus e violara a lei religiosa judaica.
O papa conclui que o “verdadeiro grupo de acusadores” foram as autoridades do Templo e não todos os judeus da época.
Elan Steinberg, vice-presidente da Reunião Americana de Sobreviventes do Holocausto e de seus Descendentes, saudou as palavras do chefe da Igreja Católica.
“Esse é um avanço importante. É o repúdio pessoal ao fundamento teológico de séculos de antissemitismo”, afirmou ele.