Obama detona ataques cibernéticos

Presidente dos EUA ordenou secretamente que se intensificassem os ataques cibernéticos contra as instalações nucleares iranianas. A operação já tinha sido iniciada pela administração do ex-presidente George W. Bush

Redação

01 de junho de 2012 | 23h59

O presidente dos EUA, Barack Obama, ordenou secretamente que se intensificassem os ataques cibernéticos contra as instalações nucleares iranianas. A operação já tinha sido iniciada pela administração do ex-presidente George W. Bush e teve como nome de código “Jogos Olímpicos”.

A notícia foi divulgada pelo jornal The New York Times, a partir de entrevistas feitas ao longo dos últimos 18 meses com pessoas próximas deste programa. Entre elas estão fontes militares americanas, europeias e israelenses.

O programa avançou mesmo depois de, em 2010, ter sido acidentalmente lançado na internet o vírus informático Stuxnet. O vírus teria sido desenvolvido pelos EUA e por Israel para avariar as centrifugadoras da central de Natanz, onde o Irã enriquece urânio, diz o jornalista David Sanger, autor do livro “Confrontar e esconder: as guerras secretas de Obama e o surpreendente uso do poder americano”.

Mas um erro de programação fez com que se disseminasse acidentalmente pela Internet. Apesar disso, Obama decidiu intensificar os ataques contra as instalações nucleares iranianas, para impossibilitar o desenvolvimento de armas nucleares e também conter os ímpetos de Israel para um ataque militar contra o Irã.

Segundo Sanger, após ter sido descoberto o ciberataque do Stuxnet, em 2010, Obama encontrou-se na Casa Branca com vários membros da sua administração e conselheiros, incluindo o vice-presidente Joe Biden e o então chefe da CIA e atual secretário de Estado da Defesa, Leon Panetta.

Parecia comprometida a tentativa de travar o avanço do programa nuclear iraniano e o presidente perguntou: “Devemos parar com isto?”. Foi-lhe dito que não era claro até que ponto os iranianos saberiam que era o Stuxnet que provocara o caos em Natanz.

Por isso, Obama decidiu continuar com os ciberataques e, nas semanas seguintes, as instalações nucleares de Natanz foram atingidas por uma nova versão do vírus.

Estes ataques teriam danificado mil das 5 mil centrífugas que naquele momento estavam em operação. Os ataques teriam causado atrasos de até dois anos no programa nuclear iraniano.

A revelação surge na mesma semana em que a empresa russa de antivírus e segurança informática Kasperksy anunciou ter identificado um novo vírus com uma capacidade inigualável de causar danos e capturar dados de sistemas informáticos.

O Flame, como foi chamado, desencadeou um complexo ciberataque concentrado na zona do Oriente Médio e recolheu dados privados numa série de países, incluindo Israel e Irã.

As capacidades deste poderoso vírus incluem a monitorização de tráfego de veículos, a gravação de conversas em áudio, o registro do que é escrito no teclado e outras ações. Mais de 600 alvos específicos já foram atingidos, desde indivíduos e empresas até governos e instituições acadêmicas.

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