Casarão do Parque Burle Marx será hotel de luxo

Em 1999, quando o palacete começou a ser construído, os sócios prometiam que ali surgiria o “primeiro hotel seis estrelas” da capital paulista

danielsilva

30 Maio 2010 | 10h45

Irany Tereza
Monica Ciarelli
Fernando Scheller

Quem já esteve no Parque Burle Marx, em São Paulo, já deve ter se perguntado sobre o casarão em estilo antigo que parece um “corpo estranho” no meio da vegetação. A construção foi planejada para ser um hotel de luxo, mas foi abandonada após brigas judiciais entre sócios e dificuldades financeiras da companhia majoritária no empreendimento. Agora, depois de mais de oito anos de abandono, o projeto está prestes a ser retomado.

O JT apurou que o braço de construção do grupo espanhol OHL – que, por enquanto, atua no Brasil somente na área de concessões de rodovias – deve assumir o empreendimento.

Em 1999, quando o palacete começou a ser construído, os sócios prometiam que ali surgiria o “primeiro hotel seis estrelas” da capital paulista.

Depois de três anos de trabalho e aproximadamente US$ 40 milhões em investimentos, o edifício foi fechado, passando a decorar a área de visitação pública.

De acordo com fontes próximas ao negócio, o grupo espanhol estaria fechando a compra do palacete – batizado há mais de uma década como Tangará Hotel & Spa – por aproximadamente US$ 30 milhões.

O projeto pertence à Birmann Empreendimentos (que tem 51% do negócio) e à Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (detentora de 49%).

O acordo de exclusividade na compra do empreendimento já foi fechado, de acordo com fontes envolvidas nas negociações, e foi contratada auditoria para a due diligence (análise dos números). A licitação para a venda do empreendimento foi lançada no ano passado.

Procurado pela reportagem, o empresário Rafael Birmann confirmou que há uma venda em curso, mas não quis informar o nome do comprador nem o valor do negócio.

A Previ confirmou a negociação, mas também não informou o nome do comprador. A direção do fundo disse apenas que o interessado tem 60 dias para uma manifestação final.

A obra, que tem oito pavimentos, incluindo dois subsolos e cobertura, está quase 70% concluída - Foto: Werther Santana/AE

A obra, que tem oito pavimentos, incluindo dois subsolos e cobertura, está quase 70% concluída - Foto: Werther Santana/AE

Construção acumula limo
Com 27 mil metros quadrados de área construída no meio de um bosque, o casarão inacabado tem as portas trancadas por cadeados. A construção acumula limo e sujeira em sua fachada.

A intenção do grupo OHL, entretanto, seria a de levar a cabo a ideia de erguer ali um hotel de alto padrão. A obra, que tem oito pavimentos, incluindo dois subsolos e cobertura, está quase 70% concluída, conforme informaram fontes envolvidas no negócio.

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, o projeto não faz parte do Burle Marx – o terreno em que o hotel inacabado está localizado, ao lado da área pública, acabou se confundindo com o espaço do parque porque a construção ficou parada.

A área do Parque Burle Marx foi doada à cidade pelo Banco Brascan, proprietário original do terreno.

Segundo informações da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, como as árvores em volta do hotel também precisam ser preservadas, provavelmente o novo dono do empreendimento terá de tirar licença para o seu manejo.

Entretanto, o poder público confirmou que o local onde está localizado o edifício abandonado realmente pertence à iniciativa privada.