Cesta de ações é opção para iniciantes

Bolsa reduz aplicação mínima e fundos de índice (ETFs) tornam-se mais acessíveis à pessoa física. Quando um investidor compra uma cota ele leva uma carteira de ações de diferentes empresas, sem ter que adquirir separadamente os papéis de cada companhia que compõem o índice

Redação

27 de setembro de 2010 | 08h50

Gisele Tamamar

Quem está disposto a entrar no mercado de ações, mas não tem muito dinheiro, encontra no ETF, Exchange Traded Fund, uma forma de diversificar seus investimentos. Trata-se de um fundo de investimento em índice com cotas negociadas na Bolsa.

De acordo com Julio Ziegelmann, diretor de renda variável da BM&FBovespa, a diversificação ocorre porque quando um investidor compra uma cota de ETF ele está aplicando ao mesmo tempo em uma carteira de ações de diferentes empresas, sem ter que comprar separadamente os papéis de cada companhia que compõem o índice.

Para ilustrar a ideia de diversificação, o professor do Insper, George Ohanian, compara os investimentos em ETF com uma cesta de ovos. “Se você tem todos os ovos em uma cesta e ela cair, todos os ovos quebram. Investir em ETF é como colocar os ovos em cestas diferentes”, exemplifica.

No começo de agosto, a quantidade mínima para começar a negociar esses fundos foi reduzida em dez vezes, de 100 para dez cotas. Na prática, se uma pessoa quiser entrar nesse mercado terá que desembolsar R$ 678 para negociar um ETF Bova11 (fundo baseado no Índice Bovespa), por exemplo, em vez dos R$ 6,7 mil anteriores.

No mês de início da redução do lote-padrão, as operações envolvendo os ETFs registraram alta de 58% em comparação com julho. Foram 17.293 negócios realizados envolvendo sete fundos de índices e um volume financeiro de R$ 560,3 milhões. Desse total, apenas 9% tiveram participação de pessoas físicas. Atualmente 600 mil pessoas operam na Bolsa. “A meta é atingir 5 milhões em cinco anos e o ETF será um instrumento importante para atingirmos essa meta”, alega Ziegelmann.

Para o coordenador do Departamento de Finanças da ESPM, Andreas Ricardo Belck, essa redução do lote-padrão agrega mais uma opção de investimento para o “pequeno investidor”. No entanto, ele faz um alerta. “Como qualquer investimento em renda variável, a pessoa deve ter consciência dos riscos que vai correr e não deve aplicar um grande valor no início. Para começar a investir em fundos, ele deve primeiro ter uma garantia financeira aplicada em renda fixa para alguma eventualidade”, destaca.

É a mesma opinião do consultor e autor do livro Tranquilidade Financeira, Humberto Veiga. “Não é só porque ficou mais fácil investir em ETF que a pessoa deve investir. É preciso ter cautela, fazer contas e analisar seus objetivos”, afirma.

Outro ponto importante para se avaliar é que existem sete ETFs listados na Bolsa, sendo que o Bova11 foi responsável por 84,8% do volume total movimentado. Está previsto para o início de 2001 o lançamento de mais um ETF, o IFNC, baseado no Índice, que representa as empresas do setor financeiro.

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