Contratações na Grande SP caem 27% em novembro

Apesar da queda no ritmo de abertura de vagas, o emprego ainda está em alta no acumulado do ano. No País, a meta de 2,5 milhões de postos com carteira assinada estabelecida pelo governo para 2010 foi atingida

Redação

17 de dezembro de 2010 | 06h03

O setor de comércio teve recorde de criação de vagas em novembro, com 131.336 (Foto: Evelson de Freitas/AE)

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EDNA SIMÃO

A Região Metropolitana de São Paulo ganhou 34.986 novas vagas de trabalho formal em novembro deste ano — o que mostra uma queda em relação ao mês anterior, quando 44.622 pessoas começaram a trabalhar com carteira assinada. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mesmo com a queda, o saldo do ano ainda é de 415.240 novas vagas, duas vezes mais do que o mesmo período de 2009, que registrou 184.012.

Com o resultado de novembro, a meta do governo federal para este ano no Brasil foi atingida, com 2,5 milhões novas vagas. Os setores que mais se destacaram em novembro no País foram o comércio (131.336 postos) — recorde para todos os meses da série — e o de serviços (79.173 postos) — segundo melhor resultado da série para o mês.

Além o mês ter o efeito das compras de Natal — a melhor época para o comércio — o consumidor também está gastando mais.

“Não é de hoje que o consumo das famílias, que ainda deve crescer 12% até o final do ano, sobe mais que o Produto Interno Bruto (PIB) do País, que aumentou em torno de 7%. Com a demanda crescente, o setor tem de produzir mais”, analisa o assessor econômico da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP), Fabio Pina.

A tendência, no entanto, é que a criação de vagas no comércio também registre desaceleração. “O ritmo em 2010 foi melhor em relação aos outros anos, o que mostra uma recuperação acelerada da época da crise. A tendência é que o número pare de subir com a mesma rapidez”, prevê Pina.

Por outro lado, devido à influência de fatores sazonais e conjunturais, perderam postos de trabalho os segmentos da agricultura, indústria de transformação e construção civil. “Em novembro, é natural que haja demissões mais fortes, já que a produção da indústria perde intensidade”, explica o economista da Fundação Instituto de Administração (FIA) Celso Grisi.

Dólar barato

A desaceleração também está ligada à desvalorização do dólar em relação ao real. “São Paulo é um exportador muito grande na região metropolitana. Com o dólar barato, as importações superam a produção no País e a indústria fica prejudicada”, acrescenta Grisi.

A valorização da moeda brasileira frente à americana influenciou a indústria no Brasil inteiro. “Isso é a fotografia do momento. Não estou culpando o dólar pela redução de empregos. Estou dizendo que foi um dos fatores que influenciaram”, explica o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.