Brasileiro já compra mais notebooks

Segundo dados do setor, devem ser vendidos no Brasil 7,15 milhões de notebooks este ano, comparados a 6,85 milhões de computadores de mesa. Em 2009, foram comercializados 5,15 milhões de computadores portáteis e 6,85 milhões de desktops

Redação

25 de dezembro de 2010 | 23h00

Em 2010, a venda de computadores portáteis ultrapassou pela primeira vez a de modelos de mesa no País. Isso tem trazido mudanças ao mercado. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), devem ser vendidos 7,15 milhões de notebooks este ano, comparados a 6,85 milhões de desktops.

“O mercado de desktops não vai acabar, mas não tem tendência alguma de crescimento”, disse Ivair Rodrigues, diretor de Estudos de Mercado da IT Data e responsável pelos dados da Abinee. Em 2009, foram comercializados 5,15 milhões de portáteis e 6,85 milhões de computadores de mesa.

Um efeito claro dessa mudança de perfil do mercado brasileiro foi o fortalecimento dos grandes fabricantes, principalmente das empresas internacionais. “Os fabricantes menores ficaram numa situação complicada”, afirmou Rodrigues.

Isso porque, no caso dos portáteis, as empresas normalmente importam kits, no lugar de trazer as peças em separado. Eles precisam ser comprados em quantidade maior, com pagamento à vista. “A empresa precisa de fluxo de caixa”, explicou o diretor da IT Data. No caso dos desktops, normalmente as peças são compradas no Brasil, sendo algumas delas, como placas, gabinetes e discos rígidos, de fabricantes locais.

A nova configuração acabou concentrando o mercado, com os pequenos fabricantes praticamente restritos aos desktops. Ela também colocou pressão na Positivo Informática, maior fabricante brasileira de computadores, que se viu obrigada a competir com os gigantes mundiais num mercado de margens cada vez mais apertadas.

No terceiro trimestre, a Positivo registrou queda de 74,1% em seu lucro líquido, que somou R$ 15,3 milhões. As vendas da companhia caíram 1,3%, para 521,8 mil unidades.

Já a Digitron, maior fabricante brasileira de placas-mãe para computadores, resolveu diversificar diante do novo cenário. A placa-mãe é a principal do PC. Em outubro, a empresa anunciou um acordo com a americana Western Digital para fabricar discos rígidos no Brasil, em sua fábrica de Manaus. O objetivo da Digitron é produzir 4 milhões de unidades em 12 meses.

A necessidade de diversificar vem da diferença da participação da empresa nos mercados de desktops e de notebooks. A Digitron fornece cerca de 40% das placas-mãe dos computadores de mesa produzidos no Brasil, segundo Sung un Song, presidente da empresa. Nos portáteis, a participação está abaixo de 10%.

Para Luiz Mascarenhas, diretor de produtos de consumo da HP, o mercado de computadores de mesa continua saudável, apesar do crescimento dos portáteis. “Existe espaço para as duas decisões de compra”, disse. “A venda maior de notebooks era algo que já estávamos esperando. É uma tendência natural.” :: Renato Cruz