Vendas de PMEs ao governo crescem 255%

Volume em 2006 era de R$ 4,5 bilhões e hoje chega a R$ 15 bilhões. Número de pequenas empresas que fornecem para órgãos públicos subiu 78,7%. Bom para esse empreendedor que negocia grandes quantidades e recebe em dia

Redação

29 de janeiro de 2011 | 00h07

GISELE TAMAMAR

As micro e pequenas empresas (PMEs) têm ganho cada vez mais espaço na lista de pagamentos do governo federal. As compras feitas por órgãos públicos atingiram a cifra de R$ 15,969 bilhões em 2010. O número é mais do que o triplo do montante registrado em 2006 de R$ 4,492 bilhões (crescimento de 255%), segundo dados o Ministério do Planejamento.

O número de PMEs na lista de fornecedores também é crescente. Em 2006, 129.687 empresas fizeram negócio com a União. No ano passado, o salto foi de 78,7%, para 231.853 firmas. A principal responsável por essas elevações é a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa de 2006, mas que começou a valer no ano seguinte.

A legislação trouxe uma série de benefícios para o segmento e abriu espaço para os empreendedores de pequeno porte se tornarem fornecedores de empresas e órgãos públicos.

É o caso da Stock Total Telecomunicações, do empresário Nelson Zilli, de 48 anos. Ele fornece equipamentos de radiocomunicação para órgãos públicos há cerca de 12 anos, como Exército, polícias e guardas municipais. Cerca de 30% do seu faturamento é resultado de participações em pregões. “A grande desvantagem é ter que ser muito competitivo em preço. Já a vantagem é que o governo compra bastante e paga em dia. Hoje a situação é diferente de 15, 20 anos atrás, quando o governo não era um bom pagador.”

Mas antes de participar dos processos para ser um fornecedor, o empresário precisa tomar alguns cuidados. “Por um lado é uma oportunidade, mas por outro é um desafio”, alerta a professora Dariane Castanheira, do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento (Proced/FIA). É preciso analisar a margem de contribuição que o negócio irá trazer, ou seja, ver se a receita líquida menos os custos e despesas da transação valerá a pena.

Outra parte é fazer a análise do caixa. “Vou ter capital de giro suficiente durante o processo para pagar fornecedores e arcar com os custos até receber o pagamento? É preciso fazer contas”, diz ela.

Na opinião do professor de planejamento estratégico do Mackenzie, Marcos Morita, existem duas grandes vantagens em fazer negócios com o governo. A primeira é uma venda de baixo custo. Por meio do pregão eletrônico, o custo de deslocamento até o cliente não existe. A outra é aproveitar as oportunidades de vendas em períodos de baixa demanda. “As compras do governo, geralmente, sofrem menos influência dos efeitos da sazonalidade. Principalmente no fim do ano aumentam os pregões porque os órgãos públicos precisam utilizar a verba destinada para o ano. Têm que gastar, senão perdem a verba.”

Entre os cuidados para o empresário, Morita cita uma atenção especial com os documentos. Geralmente a empresa estrutura uma pequena área para uma pessoa ficar responsável em manter todos os documentos em dia, já que qualquer problema nesse quesito pode levar à desclassificação.

“A grande vantagem de ser um fornecedor do governo é que ele é um grande comprador. É preciso ficar atento aos editais e pregões lançados e se preparar para o processo”, afirma o consultor jurídico do Sebrae-SP, Paulo Melchor. O interessado pode acessar os sites dos pregões eletrônicos, como o www.comprasnet.gov.br (governo federal), www.bec.sp.gov.br (governo estadual).

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