SP ganhou 346 mil empresas em 2010

Boa parte dessas aberturas, cerca de 150 mil ou 43% delas, referem-se ao programa Microempreendedor Individual, que visa formalizar pessoas que trabalham por conta própria e cujo faturamento anual máximo seja de até R$ 36 mil

Redação

16 de fevereiro de 2011 | 23h49

GISELE TAMAMAR

A vontade de se tornar dono do próprio negócio foi concretizada em 2010 com a abertura de 346.651 empresas no Estado de São Paulo. O número é 71% superior ao registrado no ano anterior, quando 202.599 firmas foram criadas, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Boa parte dessas aberturas, cerca de 150 mil ou 43% delas, é referente ao programa Microempreendedor Individual (MEI), direcionado às pessoas que trabalham por conta própria e cujo faturamento máximo seja de até R$ 36 mil por ano. O programa entrou em vigor em julho de 2009.

Para o diretor do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella, independentemente da grande quantidade de microempreendedores, a abertura de novas micro e pequenas empresas está num ritmo crescente. “O empreendedorismo é um caminho alternativo ao conceito tradicional de emprego”, explica.

É comum profissionais como fisioterapeutas e médicos abrirem suas próprias clínicas, por exemplo. Ou mesmo empresas que contratam funcionários para atuarem como pessoa jurídica.

A boa fase da economia brasileira também influencia a abertura de novos estabelecimentos comerciais. “Entre 2008 e 2009, muitas pessoas abriram empresas por necessidade porque perderam o emprego devido à crise financeira. Já em 2010, a economia em alta estimulou a abertura de negócios por oportunidade e vocação, que são negócios mais planejados”, afirma o consultor de negócios Marcos Morita.

Uma prova disso é que o aumento de mais de 70% da quantidade de firmas abertas no último ano foi bem maior do que o de empresas extintas. Em 2009, foram fechadas 65.317. No ano seguinte, o número subiu 6,7%, passando para 69.691 estabelecimentos.

Outro ponto positivo para a criação de empresas tem relação direta com o mercado imobiliário. A criação de polos comerciais e prédios residenciais atrai pequenas lojas e restaurantes.

Novas empresas também significam mais empregos. Segundo o Sebrae, 52% dos empregados com carteira assinada têm como chefes micro e pequenos empresários. “A diferença é que um funcionário de uma empresa de pequeno porte ganha um salário proporcionalmente menor do que se trabalhasse em uma empresa de grande porte”, diz Tortorella.

Apoio do Sebrae

E quem planeja abrir um negócio próprio pode contar com o apoio do Sebrae. “Vale a pena investir em 2011 e 2012, desde que seja um negócio muito bem planejado”, diz o diretor da entidade.

É o que fez o empreendedor Willian Girarde, de 29 anos. A realização do plano de negócios e o processo de regularização da GQuest durou um ano. Ele abriu a empresa especializada em pesquisa de mercado em novembro em sociedade com a estudante Amanda Mello, 22 anos. “Foi uma empresa muito bem planejada. Fiz curso no Sebrae e conto com o apoio da Incubadora de Empresas de Guarulhos”, conta.

Hoje, Girarde tem quatro clientes e já planeja contratar mais dois funcionários. “Abrir uma empresa exige muita responsabilidade. É um trabalho árduo e exige muito planejamento”, afirma.

A falta de planejamento e da capacidade administrativa são as principais causas para a mortalidade das empresas. Para reduzir esse risco, a professora do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento (Proced/FIA), Dariane Castanheira, aconselha o empreendedor a investir em um plano de negócios antes de se aventurar como proprietário da própria empresa.

O empreendedor, aponta a professora, deve sempre se preocupar com o planejamento estratégico, de marketing e de finanças. É importante checar a situação do mercado, público-alvo, concorrentes, fornecedores, localização do negócio, oportunidades, ameaças e principalmente, o dinheiro em caixa para capital de giro. “Já vi muitas empresas fecharem porque precisam de dinheiro. Quando recorrem aos bancos já estão com a corda no pescoço e encontram altas taxas de juros, o que compromete o lucro”, conta a professora da FIA.

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