Banda larga cresce, mas com má qualidade

Rápida popularização e expansão, mas com qualidade ruim. Essa é a realidade do serviço de banda larga de internet no Brasil, de acordo com levantamento internacional. Em 2010, a banda larga teve crescimento de 71% no País

Redação

13 Março 2011 | 23h30

CAROLINA MARCELINO

Rápida popularização e expansão, mas com qualidade ruim. Essa é a realidade do serviço de banda larga de internet no Brasil, de acordo com levantamento internacional. Em 2010, a banda larga teve crescimento de 71% no País em relação ao ano anterior – foram 14,2 milhões de novos assinantes, segundo dados da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil).

Na contramão dessa expansão, o Brasil caiu oito posições no ranking mundial de velocidade de banda larga em relação a 2010. O País ficou na 76ª posição de um total de 168 países analisados, segundo a Ookla, consultoria mundial que compara e classifica as velocidades de download feitos por consumidores. O Brasil está atrás de Gana e Cazaquistão, que ocupam o 39º e o 52º lugares. Na primeira posição está a Coreia do Sul, que oferece velocidade, em média, de 37,05 Mbps para fazer um download simples. Já o Brasil possui uma velocidade de 4,79 Mbps.

A qualidade do serviço resulta em problemas. O publicitário Antonio Carlos Baumann, de 55 anos, já enfrentou dificuldades com a conexão do Vírtua, internet da NET. Resultado: “Quase tive problemas na empresa onde trabalho”, disse o publicitário, que ficou com alguns projetos atrasados por causa da indisponibilidade do serviço. Em resposta ao JT, a NET informou apenas que o “caso foi solucionado”.

O engenheiro Flávio Tadao Yamaguchi, 35 anos, também teve problemas com a rede do Speedy, da Telefônica, neste ano. “Quase nunca conseguia navegar, a conexão caía inúmeras vezes.” Por meio de nota, a Telefônica informou que o “caso do cliente foi resolvido”.

Plano nacional

O Ministério das Comunicações lançou no ano passado o Plano Nacional para a Banda Larga (PNBL) com o objetivo de expandir o serviço a todo território nacional até 2014. A previsão é de sejam investidos de R$ 3 bilhões a R$ 14 bilhões.

Entretanto, segundo a Telebrás, empresa vinculada ao Ministério das Comunicações, no ano passado não foram gastos os R$ 300 milhões estipulados. Para 2011, a verba prevista era de R$ 1 bilhão, valor que já diminuiu para R$ 589 milhões, devido aos cortes no Orçamento da União.

Ainda assim, a Telebrás continua comprando torres e postes para expandir o alcance da banda larga. No último dia 3, foram firmados contratos de R$ 35 milhões com duas empresas. A Networker, que vai atuar no Sudeste e no Sul, e a Bimetal, que atuará no Nordeste.

Reclamações

Em apenas um ano, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) recebeu 5.510 reclamações a mais sobre banda larga. Até dezembro de 2009, foram registrados 11.853 relatos. Durante o ano passado, foram 17.363 reclamações (alta de 46,5%). Reparo e cobrança estão no topo da lista.

As entidades de defesa do consumidor estão atentas ao problema. Tanto que há dois anos a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) pediu que o Ministério Público averiguasse o tamanho do prejuízo dos consumidores. “A internet é essencial. Tem de ser oferecida pelo poder público. O Estado tem de garantir o serviço”, diz a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Veridiana Alimonti.