Na cabine do avião, adeus aos papéis

A Agência Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, autorizou várias empresas aéreas que operam voos comerciais ou charter a usarem o tablet como maleta de voo eletrônica

Redação

10 de julho de 2011 | 11h11

O que tem nessas maletas pretas e pesadas que os pilotos levam para a cabine do avião? Não são trocas de roupa, mas blocos de papel com material de referência necessário para o voo — pesando cerca de 18 quilos cada uma.

Ali estão o manual de operações, listas de controle de segurança, diário de navegação para anotação de dados sobre o desempenho do avião, mapas de navegação, informações sobre o tempo, diagramas de aeroportos e também um jogo KenKen colocado na mala, apenas para garantir. Mas, em vez de carregar toda essa papelada, um número cada vez maior de pilotos agora leva consigo um iPad, que pesa apenas 650 gramas, com os dados que necessita.

A Agência Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, autorizou várias empresas aéreas que operam voos comerciais ou charter a usarem o tablet como maleta de voo eletrônica.

E pilotos que trabalham para empresas também estão usando iPads, que suportam centenas de aplicativos gerais de aviação, que simplificam o planejamento antes do voo e ajudam nas operações durante o voo.

Pilotos substituem mala com 18 quilos de material de referência por equipamento eletrônico de 650 gramas (Foto: The New York Times)

“O iPad permite aos pilotos o acesso rápido às informações”, diz Jim Freeman, piloto e diretor de normas de voo da Alaska Airlines, que forneceu aparelhos iPad para todos os seus pilotos. “Quando você precisa tomar uma decisão na cabine de comando, três a quatro minutos remexendo papéis são uma eternidade.”

A Alaska Airlines conseguiu aprovação da FAA em maio, permitindo que seus pilotos consultem manuais, sistemas de voo digitais no iPad — reduzindo cerca de 11 quilos de papel de cada maleta de voo do piloto.

Os manuais eletrônicos contêm hiperlinks e gráficos em cores para ajudar os pilotos a encontrar as informações rápida e facilmente. E os pilotos não precisam mais ter o trabalho tedioso de atualizar os manuais trocando páginas antigas por novas porque essas atualizações são baixadas automaticamente para o iPad.

Na próxima fase do que a Alaska Airlines chama de Operation Bye, Bye Flight Bag, a empresa vai requerer à FAA o uso do iPad para leitura de mapas aeronáuticos, o que vai poupar mais dois quilos de papel por piloto.

Contando o peso de papéis transportados por piloto e copiloto só de papéis, o equivalente a 27 quilos de peso poderá ser removido da cabine — uma economia importante não só de papel e custos de impressão, mas também de combustível, uma vez que os aviões ficam mais leves.

Como o iPad da Apple pesa menos e é mais compacto do que um laptop, e a sua tela sensível ao toque é mais fácil de manusear, seu lançamento em 2010 facilitou a mudança.

A adoção do iPad também deve reduzir os custos com saúde e licenças médicas por dores nas costas e nos ombros causadas por essas maletas pesadas, diz David Clark, piloto e gerente na American Airlines: “As cabines dos aviões são pequenas e levantar todo o tempo essa maleta é prejudicial à saúde, particularmente quando você imagina que muitos pilotos têm mais de 40 anos”.

Mapas
No mês passado, a FAA autorizou os pilotos da American Airlines a utilizarem o iPad para leitura de mapas aeronáuticos. No ano passado, a companhia foi autorizada a usar o aparelho no lugar dos manuais de referência de papel.

A Executive Jet Management, empresa da NetJets, de propriedade de Berkshire Hathaway, teve permissão da FAA em fevereiro para seus pilotos lerem os mapas aeronáuticos no iPad.

Além disso, segundo a agência federal de aviação, os pilotos das duas companhias aéreas não precisam desligar e guardar seus aparelhos de iPad quando estão taxiando, decolando e aterrissando, porque provaram que os aparelhos não interferem no funcionamento dos dispositivos eletrônicos a bordo.

Os pilotos da Alaska Airlines, como também os passageiros, ainda necessitam desligar seus aparelhos durante essas fases críticas do voo.

“Cada empresa aérea deve apresentar uma proposta única sobre como pretende usar o iPad e provar que tanto as aplicações do aparelho como do software são seguras e eficazes para o uso objetivado”, disse John W. McGraw, vice-diretor da FAA para normas de voo.

Testes
No caso da Executive Jet Management, por exemplo, 55 pilotos testaram o iPad em 10 tipos de aviões para se certificarem de que o aparelho era seguro e não interferia nos instrumentos de voo.

O iPad também foi submetido a uma rápida descompressão numa altitude simulada de 15,5 mil metros.

No entanto, pilotos de empresas aéreas e de companhias privadas não passam pelo mesmo processo de aprovação.

Com base nos regulamentos da FAA, eles estão encarregados de definir que tecnologias são seguras e apropriadas para uso na cabine de comando.

Assim, o iPad está se tornando rapidamente um instrumento fundamental nos aviões, desde o GulfStream G650 até o Piper Vagabond. Kate Murphy, do The New York Times / Tradução de Terezinha Martino)