População jovem migra para fugir da crise

Jovens de Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, onde o desemprego e a falta de esperança se alastram por conta da crise, têm migrado para outras regiões em busca de trabalho. Alemanha, França e Inglaterra são os países preferidos. Até mesmo o Brasil tem sido opção para muitos jovens europeus desiludidos

Redação

13 de julho de 2011 | 15h21

A crise que tomou conta da Europa há dois anos afeta profundamente os jovens. Em Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha – os países do grupo chamado Piigs -, o desemprego e a falta de esperança têm provocado uma onda de migração para outras regiões onde ainda é possível encontrar trabalho, como Alemanha, França e Inglaterra. Até mesmo o Brasil tem sido opção para muitos jovens europeus desiludidos.

Para a arquiteta lisboeta Ana Neto Santos, a Copa e a Olimpíada – dois grandes eventos esportivos que serão realizados no Brasil em 2014 e 2016, respectivamente – podem ser a salvação da sua carreira. Há seis anos, ela saiu de Portugal para tentar a vida em Barcelona.

Nesse período, com bolsa de estudos e mercado aquecido, ela nem pensou em voltar para seu país. Ana reconhece, contudo, que a situação mudou. Hoje sonha em conseguir trabalho no Brasil.

Pau Peris, um engenheiro de 25 anos que mora na Espanha, espera a resposta de uma empresa com sede em Curitiba, no Brasil. Seus amigos conseguiram trabalho na Suíça, na Alemanha e na França. O resultado da saída de jovens profissionais é o que estão chamando na Espanha de “fuga de cérebros”, relata o engenheiro. “Os jovens mais preparados são os que estão deixando o país”, afirma.

Brasileiros
Para os brasileiros que moram nesses países, a situação não é diferente. O sonho do administrador de empresas Bruno Vicelli de morar na Irlanda durou apenas seis meses. Quando o dinheiro chegou ao fim e sem conseguir nenhum emprego, o jovem de 24 anos teve de retornar ao Brasil, para sua cidade natal, Rio Claro. “Estou voltando com uma missão inacabada.”

Já a brasileira Sandra Roussiê estaria no local ideal para exercer a profissão se não fosse a crise. Formada em turismo, ela reside na cidade de Tessalonica, na Grécia, país que está entre os destinos turísticos mais procurados todos os anos. Contudo, para sobreviver em um país com índice de desemprego de 15%, Sandra começou a vender cosméticos brasileiros de porta em porta.