Facebook: vitrine para comércio de pequeno porte

Lojas usam a rede social para vender itens segmentados, que fogem do que é encontrado nos sites convencionais. Assim, exploram o potencial da página eletrônica de relacionamento, cada vez mais influente nas compras online

danielsilva

11 Setembro 2011 | 23h00

Ana Elise Ferrari, designer de jóias, vende suas peças pela rede social. FOTO: JF DIORIO / AE

 

MARÍLIA ALMEIDA

O brasileiro adora redes sociais. Não à toa, a influência dos sites de relacionamento no comércio eletrônico vem crescendo.

Apesar de ainda representar uma pequena parcela, as compras influenciadas pelas redes sociais saltaram de 0,5% em 2010 para 1,5% de um total de R$ 18,7 bilhões do faturamento online previsto para este ano, de acordo com a consultoria especializada em comércio eletrônico e-bit.

De olho nesse mercado potencial, surge o comércio social, composto por lojas que vendem de forma direta ou indireta pelo Facebook, a rede mais popular no País e que permite a criação de vitrines.

Este novo segmento do comércio representa uma oportunidade principalmente para o pequeno empreendedor.

Além de custos reduzidos, abrir uma loja virtual no site de relacionamento é a chance de divulgar a marca, pois aproveita o boca a boca entre os usuários, e dá espaço para produtos diferenciados, difíceis de serem encontrados nas páginas tradicionais.

“Este comércio é composto tanto por lojas que realizam todo o processo de compra dentro da rede social, inclusive o pagamento, como as que montam uma vitrine, e, na hora da compra, direcionam para o site da empresa”, explica Alexandre Umberti, gerente da e-bit.

Para ajudar o microempresário, três empresas montam e fazem a manutenção dessa vitrine virtual: Elo7, Like Store e Face Commerce.

A operação é feita por meio de um aplicativo, e pode ou não ter um custo mensal. O pagamento dos produtos é feito por intermediadores (Pag Seguro, Moip e Pay Pal, por exemplo) e a entrega fica a cargo dos Correios – o custo é embutido no preço final da mercadoria.

As lojas virtuais têm entre suas características a interatividade. Ao comprar, o cliente pode ter a operação publicada no mural do seu perfil, fazer comentários sobre o produto e criar lista de desejos.

O aplicativo Face Commerce foi criado em fevereiro e tem uma versão gratuita e outra que custa R$ 50 por mês. “Tem de tudo: lojas de joias, artigos de surf, artes marciais, sex shop e livros gospel. São produtos de nicho”, diz o desenvolvedor Rodrigo Demétrio, um dos criadores do serviço online.

A Like Store abriu para pequenos comerciantes em 8 de agosto e já são mais de 1,5 mil lojas em operação. A empresa fica com 2% sobre cada venda. “Há quem começou a vender na loja, quem nunca tinha vendido pela internet e quem já tem comércio eletrônico”, explica o cofundador Gabriel Borges.

O site Elo 7, criado em 2008, reúne 10 mil pequenos comerciantes – a maioria artesãos – e lançou em junho um aplicativo que cria vitrines online no Facebook.

“Quem se interessa em comprar um item é direcionado ao site. É mais um meio de divulgação. Sabemos que a indicação de produtos é forte na rede social”, diz Monica Ipolito, sócia e cofundadora da página eletrônica.

A microempresária e designer de joias Ana Elise Ferrari criou em julho uma vitrine virtual de sua marca, a Capuleto Acessórios, no Facebook e já vendeu pelo canal.

“Meu público é jovem e senti necessidade de divulgar a marca na rede. Recebo muito retorno de clientes”, afirma Ana Elise.