Inadimplência cresce 23% desde janeiro

Alta foi puxada pela grande quantidade de cheques devolvidos e de dívidas com bancos. Além disso, o valor médio das dívidas com os títulos protestados (de janeiro a agosto deste ano) subiu 14,8% em comparação com o mesmo período de 2010

Redação

13 de setembro de 2011 | 08h19

SAULO LUZ

A inadimplência do consumidor cresceu 23,4% nos oito primeiros meses de 2011, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a empresa de análise de crédito Serasa Experian. Além disso, o valor médio das dívidas com os títulos protestados (de janeiro a agosto deste ano) subiu 14,8% em comparação com o mesmo período de 2010.

O índice foi puxado pela grande quantidade de cheques devolvidos sem fundos (com alta de 8,2%) e pelo crescimento das dívidas junto aos bancos (0,5%). Já os débitos não bancários (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água) tiveram queda de 14,1%.

Em agosto, o indicador da Serasa apontou alta de 29,2% (em comparação com o mesmo mês de 2010), puxado pela falta de pagamento das dívidas bancárias (6%) e de cheques sem fundos (4,5%). Para os economistas da Serasa Experian, os números de agosto são resultado dos altos juros no crédito e das compras parceladas no Dia dos Pais.

O professor de economia da FMU Sillas de Souza Cezar acrescenta que a alta no calote resulta de aumento na oferta de crédito e inflação. “Mais gente comprando a prazo equivale a mais gente atrasando prestações.

Entretanto, há outra razão mais importante para a inadimplência: a recente alta da inflação, que compromete o poder de compra do consumidor e o obriga a escolher as contas que serão pagas”, explica Cezar.

Apesar da alta no acumulado do ano, o economista Carlos Henrique de Almeida, da Serasa, acredita que o calote está sob controle — em agosto, a alta foi de 3% em relação a julho, que havia registrado aumento de 2,9% sobre junho. “O pior momento já passou: o primeiro semestre. A inadimplência chegou a crescer 8,2% em maio e 4,7% junho”, diz.

13º salário
Para Almeida, a inadimplência pode cair no segundo semestre. “O consumidor tem a oportunidade de usar o 13º para quitar as dívidas”, diz o especialista. Já Cezar lembra que mesmo que os consumidores endividados gastem menos nas compras de final de ano, isso não deve afetar as vendas do comércio.

“O crédito continua aquecido e acaba de ser estimulado pela recente baixa da taxa Selic na ultima reunião do Copom. Pessoas que ainda não se endividaram poderão fazê-lo nas próximas compras.”

Perigo
Porém, para Reinaldo Domingos, presidente do Instituto Dsop de Educação Financeira, a taxa de endividamento é perigosa. “O calote cresce porque a facilidade do crédito está aliada à falta de controle e educação financeira.”

Para ele, a inadimplência só deverá cair quando o consumidor mudar hábitos e costumes. “Ele deve ter conhecimento básico de sua própria realidade financeira e adequar seu padrão de vida. Só pode dar um presente quem tem dinheiro. E antes de comprar qualquer coisa — mesmo a prestação — é preciso conhecer a sua capacidade de pagamento e respeitá-la.”

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