Vendas das micros devem crescer 19%

A previsão é do Sebrae, que aponta empate com relação ao crescimento registrado em 2010, o ano mais próspero do mercado desde 1998. O indicador é considerado positivo porque, hoje, a economia já apresenta desaceleração

Redação

09 de novembro de 2011 | 07h13

SUZANE G. FRUTUOSO

O pequeno comércio pode ter um Natal melhor do que o varejo em geral. De acordo com um levantamento do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), as vendas do segmento devem crescer este ano 19,2% em relação ao Natal de 2010, o ano mais próspero do mercado desde 1998. No ano passado, esse mesmo índice de crescimento ocorreu nas vendas na comparação com 2009.

O indicador é considerado positivo porque, hoje, a economia já apresenta desaceleração, reflexo das turbulências, especialmente na Europa, que causam incertezas em todo o mundo. O pé no freio com os gastos dos brasileiros também começou com as medidas tomadas pelo governo federal para brecar a inflação.

Movimento maior em duas semanas surpreendeu a empresária Sandra (Foto: DIVULGAÇÃO)

“O empate não é um dado ruim. A questão é que a base de comparação é com um período muito favorável, o mais forte da nossa história”, diz Pedro Gonçalves, consultor do Sebrae-SP. Empresários como Sandra Roque, de 40 anos, dona de uma confecção e uma loja, já sentem um aquecimento nas vendas. “Nas duas últimas semanas houve um aumento de 12% na clientela, sempre dizendo que estavam antecipando as compras de Natal”, diz ela (leia nesta página).

A Associação Comercial de São Paulo suspendeu as previsões para o varejo em geral. “Calculávamos 5% de crescimento. Mas com os resultados de outubro, vamos esperar o fim de novembro para fazer qualquer prognóstico para o Natal”, conta o economista da entidade, Emílio Alfieri. Ele se refere aos dados de outubro, cujo balanço mostrou apenas 0,5% de aumento no crediário e de zero nas vendas à vista em relação ao ano passado.

Desempenho fraco
Entre as explicações para o fraco desempenho do comércio em geral estão o frio persistente até o começo de novembro, que teria encalhado as vendas de roupas e acessórios de verão, e o receio do consumidor em gastar agora e não ter dinheiro para pagar as dívidas. “O medo vem justamente das más notícias sobre a economia internacional”, diz Alfieri.

Chegar ao resultado de 2010, quando o varejo teve alta de 13%, não é impossível. Os juros têm caído desde agosto. E o emprego e a confiança em geral continuam em alta. No caso das micro e pequenas empresas, as possibilidades são melhores graças à qualificação do empreendimento.

“Os empresários com o perfil de micro e pequeno estão mais preparados. Ainda falta profissionalismo em muitos casos, mas uma parte considerável aprendeu a atender de maneira mais atenciosa, oferecer diferenciais”, diz Ricardo Humberto Rocha, especialista em varejo da Fundação Instituto de Administração (FIA). “Não surpreende que estejam se saindo tão bem no final de ano.”

Para quem não esperava um prognóstico tão animador de vendas, os especialistas recomendam reforçar os estoques.

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