Hackers preferem as pequenas

Negócios de menor porte são o principal alvo de ataques de criminosos virtuais. Os prejuízos com softwares maliciosos são sérios e vão desde perda de dados até lentidão do sistema, atrasando entrega de projetos, por exemplo

Redação

16 de novembro de 2011 | 12h26

SUZANE G. FRUTUOSO

O trabalho de dias, meses, até anos, pode ser destruído por puro descuido. Muitas corporações ainda esquecem o quanto é importante proteger seus computadores, que acabam invadidos por vírus. Os prejuízos com softwares maliciosos são sérios e vão desde perda de dados até lentidão do sistema, atrasando entrega de projetos, por exemplo. No Brasil, micro e pequenas empresas são os alvos preferidos dos hackers, justamente por serem mais vulneráveis.

Segundo dados da empresa Kaspersky Lab, 95% dos vírus disseminados na internet no País são para captura de senha de banco. E 36% são os chamados “cavalos de Troia”, programas que invadem o computador, ficam escondidos e são acionados sempre que alguma senha é digitada (e logo capturada). “Os vírus descobrem pequenas falhas no sistema acessadas em algum momento pelo usuário”, explica Claudio Martinelli, gerente de varejo da Kaspersky.

O especialista conta que micro e pequenas empresas usam com frequência sites de vendas online e de internet banking, que solicitam senha bancária em toda operação. Como boa parte dá pouca atenção à segurança tecnológica, pensando no mundo virtual como algo até subjetivo, elas são presas fáceis dos cibercrimosos.

“Em lugares como Europa e Estados Unidos as grandes organizações são as preferidas dos ataques cibernéticos. O comportamento despreocupado do usuário brasileiro e até a falta de produtos adequados que atendam às necessidades de empresas menores facilitam a invasão dos hackers”, diz Martinelli.

Já existem ofertas no mercado, de linguagem fácil, que o próprio microempresário pode instalar, sem precisar de um especialista em informática. São programas que protegem o servidor, os computadores e permitem um controle dos sites que serão acessados e dos arquivos que serão baixados – principais meios dos vírus infectarem o equipamento.

Sem prejuízo
O empresário Flávio Ferreira, de 33 anos, dono da agência de publicidade Mercúrio Perfil, em Perdizes, zona oeste, comprou um desses sistemas de proteção e controle de acessos. Ele nunca sofreu prejuízos financeiros com ataques cibernéticos. “Mas os computadores já foram invadidos por vírus devido a downloads realizados por funcionário. As máquinas travaram e causaram transtornos, como atraso no andamento do trabalho”, afirma a vítima.

Com frequência, a equipe de criação da agência de Ferreira também precisava desligar o antivírus dos equipamentos porque os softwares usados eram pesados demais para executar o trabalho. O antivírus normal deixava esse tipo de programa lento. Por R$ 1 mil, o empresário protegeu os 20 computadores de sua agência.

“Equivale a R$ 100 mensais e compensa pela segurança”, comenta Ferreira. Quando a renovação for feita, depois de um ano, o valor será 20% mais baixo.

Outra vantagem vista pelo empresário é poder controlar o acesso dos funcionários a sites que não têm a ver com o trabalho. Redes sociais, por exemplo, só algumas horas por dia, como no horário de almoço. “Isso aumenta a proteção do sistema e a produtividade da equipe”, diz Ferreira.

Para o engenheiro eletrônico Almir Meira Alves, professor de redes de computadores da faculdade de tecnologia FIAP, os pequenos empresários que têm até dois computadores podem usar os pacotes gratuitos da internet.

“Há boas opções sem custo de licenciamento, com antivírus e antispam eficientes. Claro que é melhor se o empresário puder contratar uma consultoria terceirizada de segurança em tecnologia. Mas para quem o dinheiro está curto, as opções gratuitas resolvem”, afirma o professor.